ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 14/04/2021

A série de livros “A Rainha Vermelha”, da escritora americana Victoria Aveyard, retrata uma sociedade dividida em dois grupos: os prateados, aos quais o sangue de tal cor lhes confere poderes sobrenaturais e permite deter a riqueza e o controle do país de Norta, e os vermelhos, a grande maioria da população, que são marginalizados, subjugados e silenciados pelo primeiro grupo durante séculos. Nesse contexto, nota-se que a falta de empatia nas diversas relações de Norta são marcados justamente pelo escasso estímulo a esse sentimento pelo próximo, como também pela extrema desigualdade social, associados às diferenças em seu convívio. Analogamente, o mesmo fenômeno dos livros de Aveyard ocorre no Brasil contemporâneo no que tange às relações sociais.

A princípio, destaca-se  que quanto menos é tratada da empatia, menos ela é praticada. De acordo com pesquisas feitas pelo IBGE, apenas 4,4% da população brasileira (acima dos 14 anos de idade) se dedica ao trabalho voluntário - um gesto claro de empatia. Portanto, percebe-se que o voluntariado é pouco praticado, graças a falta de estímulos para tal, assim seguindo em um ciclo, contribuindo para a falta de aceitação nas relações sociais brasileiras.

Outrossim, observa-se a desigualdade social fundamentada na escassez de empatia e na liquidez dos vínculos sociais. Nesse contexto, o sociólogo Zygmunt Bauman define que as relações modernas são rasas, e facilmente mudadas ou até substituídas, o que implica num menor apego com o outro, e consequentemente com seus sentimentos. Logo, é válido destacar que as relações sociais, após sua liquidez, configuram um cenário no qual reina, tanto em sociedades fictícias com Norta, como no Brasil real a indiferença em detrimento da compreensão e sua promoção.

Destarte, infere-se que a falta de empatia é um mal para a sociedade brasileira e deve ser combatida. Sendo assim, cabe ao Governo brasileiro promover, em primeiro plano, através do Ministério da Educação, palestras nas escolas que visam informar crianças e adolescentes sobre a importância das diferenças e sua aceitação no convívio social para estimular assim a empatia e diminuir as desigualdades. Ainda cabe ao Ministério da Cidadania promover premiações anuais que gratifiquem a agentes, desde crianças e pequenos projetos até empresas grandes, que praticaram o trabalho voluntário com destaque no país, para encorajar tal gesto de empatia na sociedade brasileira e assim mitigar os efeitos que sua falta promoveu e ainda promove.