ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 10/04/2021
Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira’’, o escritor José Saramago ressalta a responsabilidade de ter olhos quando todos os perderam. Sob essa ótica, nota-se uma espécie de cegueira social, intrincada na sociedade, a qual impede os indivíduos de enxergarem a falta de empatia nas relações sociais. Nesse sentido, a incompreensão com o próximo, aliado com o egoísmo enraizado na sociedade, reforçam as atitudes não empáticas dos brasileiros. Dessa forma, são prementes discussões sobre os impactos dessa grave problemática para garantir relações mais saudáveis e empáticas.
Em primeira instância, é inegável que muitas pessoas não se colocam no lugar do próximo, sendo assim, incompreensíveis. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. A letra da música “Como uma onda”, de Lulu Santos, dignifica o movimento perpétuo do mundo e as suas mudanças. Entretanto, a insensibilidade com o outro impede tal transformação, uma vez que as pessoas não reconhecem o impacto das suas ações sobre os seus semelhantes. Nesse sentido, é indiscutível que atitudes não empáticas tornam as relações mais líquidas, frágeis e superficiais, logo que a relação será construída com uma indiferença aos sentimentos. Por conseguinte, é evidente que nossa sociedade necessita aprender a ter uma consideração com o próximo.
Em segundo lugar, é notório a existência do egoísmo que está entremeado na sociedade. Nesse viés, parafraseando o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, é essencial um olhar de consideração e estima pelo outro, mas a construção de uma sociedade competitiva e imediatista torna-se uma barreira para este olhar. Ademais, a falta de altruísmo e humildade são outros fatores que implicam na demolição de tal barreira. Posto isso, tais atitudes egocêntricas da sociedade são um obstáculo para outros dilemas de grande magnitude, como o preconceito e a intolerância religiosa, já que não há valorização pelos problemas do próximo.
Depreende-se, portanto, que a incompreensão com o próximo, aliado com o egoísmo enraizado na sociedade, impede o desenvolvimento de atitudes empáticas. Desse modo, é essencial que o Ministério da Educação promova seminários por meio de palestras nas escolas e mídias sociais sobre a importância de atitudes empáticas com o intuito de incentivar a sua adoção e assim, construir uma sociedade mais ética, compreensiva e harmônica.