ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 11/04/2021

Empatia pode ser definida como a capacidade de ver o outro como um semelhante, presumindo, portanto, a disposição pessoal para sair de si. Num ambiente altamente competitivo, como o do mundo atual, tal virtude faz-se difícil em razão da incapacidade das pessoas de se lembrarem do outro. Dentro do contexto brasileiro, pode-se afirmar que essa competitividade causa o egoísmo e inviabiliza o execício da empatia.

Antes de tudo, convém enteder a origem da falta de empatia entre os brasileiros. Sobre isso, Durkheim afirma que, em sociedades altamente competitivas, seus membros tendem a assumirem uma postura de indiferença, acompanhada de um fechamento em torno de si próprio. Com efeito, sendo o Brasil um país emergente e, portanto, muito competitivo, é possível perceber que as relações sociais são pautadas pela ótica da utilidade, em que o outro é apenas um meio de se atingir os próprios fins.

Ademais, a mencionada “ótica da utilidade” já foi denunciada pelo Papa Francisco em sua crítica à sociedade competitiva moderna. Segundo o Papa, há nos dias atuais o que chamou de “cultura do descarte”, em que os indivíduos que não são considerados úteis são “descartados” das relações com os outros. Tal cultura pode ser evidenciada no Brasil, dentro do contexto competitivo, na dificulade encontrada por certas minorias, como mulheres e deficientes, para conseguirem espaço nas empresas, em que a exclusão se dá sob a alegação de que seus contratos trabalhistas não são vantajosos para a instituição.

Exposto, portanto, o problema, faz-se necessário um solução. Com efeito, é preciso que a escola desenvolva nos alunos a virtude da alteridade. Isso deve ser feito mudando o método tradicional de avaliação individual para o método de avaliação em grupo, de modo que todo processo educacional se dê no âmbito coletivo. Assim deve ser feito para que os jovens, desde o ensino básico, aprendam a ver que o próprio sucesso depende também do sucesso do outro; além de que, no mesmo processo de estudo em grupo, crie-se a proximidade com o diferente.