ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/04/2021

Segundo o escritor inglês Joseph Addison : “A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando nossa alegria e dividindo nossa dor “, citação que é valida no contexto da empatia, já que se colocar no lugar do outro e ajudá-lo é uma forma de compartilhar da dor dessa pessoa. Entretanto, hodiernamente vê-se a falta da empatia na sociedade brasileira, seja pela fragilidade das relações interpessoais ou pela necessidade de se mostrar melhor que o outro, o que faz com que as pessoas parem de se importar com as outras.

Em primeiro lugar, é importante aclarar como a fragilidade das relações interpessoais colabora para com a falta de afeição entre a população. De acordo com o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, existe o conceito da “Modernidade Liquida”, no qual a volatilidade das relações se dá pela efemeridade da vida, uma vez que tudo está em constante mudança. Logo, a sociedade perdeu sua empatia gradativamente devido ao rompimento dessas conexões, o que culminou no isolamento social e por fim na pouca preocupação e importância para com as outras pessoas. Além disso, a constante conectividade nas redes sociais corrobora para a quebra das ligações, visto que existe a falsa ideia de que possuir muitos “amigos” nas redes faz os indivíduos serem conectados, quando, na verdade, estão se afastando e rompendo as relações interpessoais, que se tornam voláteis. Desse modo, a falta de empatia é dada pela vulnerabilidade do contato entre as massas.

Ademais, ocorre o fenômeno das pessoas necessitarem demonstrar que estão melhor do que as outras, o que contribui para a indiferença entre elas. Com o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, houve a remodelação do trabalho e da sociedade, o que gerou o aumento de capital e as pessoas passaram a consumir mais, diante disso ocorreu a ascensão do poderio social e a inevitabilidade de se mostrar melhor do que outro, fato que se reflete na sociedade atual, posto que cada vez mais a população passou a se tornar egoísta e a se importar menos, o que findou na supressão da empatia. Sendo assim, as mudanças ocorridas no mundo contribuíram para os problemas de convívio atuais.

Em suma, a falta de empatia se faz presente por meio de diversos fatores, como a perecibilidade das associações entre as pessoas e o subsequente egoísmo causado pelas mudanças sofridas na sociedade. Portanto, medidas se fazem necessárias. Cabe ao Ministério da Comunicação, em parceria com o Ministério da Educação, a criação de campanhas televisivas e palestras na rede pública de ensino, para que a questão da falta de empatia seja abordada, com a finalidade de que a sociedade mude e aprenda, para que nas próximas gerações as relações sociais evoluam, dado que, somente mediante a transformação e efetivação de um melhor convívio social, a problemática será atenuada.