ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 15/04/2021

“Conheça todas as técnicas, domine todas as teorias, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Essa máxima do pai da psicologia analítica, Carl Jung, pode ser associada à questão da falta de empatia nas relações sociais no Brasil contemporâneo. Hoje, de modo semelhante, nota-se o absentismo da compreensão e do altruísmo diante dos indivíduos no contexto nacional, sobretudo entre os grupos mais desfavorecidos, como, por exemplo, permitindo um espaço propício à corrupção e a violência. Assim, é inegável que não só a intolerância frente às diferenças sociais, como também a inexpressividade alheia  são os principais responsáveis pela perpetuação do entrave.

A intransigência acerca das minorias, no que tange ao âmbito sociocultural, é um dos impasses que consolidam a insensibilidade humana. Ao tomar como base a obra literária “Ensaio sobre a Cegueira” do escritor português José Saramago, pode-se afirmar que, o autor metaforiza o caos social que é decorrente dessa “cegueira branca”, a qual é uma alegoria para os problemas que afetam a coletividade e acabam prejudicando todos os brasileiros, uma vez que a soliedariedade e a empatia vão se perdendo junto com a enfermidade. Sob esse viés, é perceptível o papel da incomplacência aliada aos estigmas sociais como fator decisivo no enraizamento dessa problemática.

Somado a isso, a cultura da passividade da sociedade é amplamente enraizada nas práticas sociais, haja vista que esta prefere a imobilidade à atividade de pensar e reagir com dinamismo. Consoante ao pensamento do filósofo francês Michel Foucault, a alusão teórica ao mito do “Navio dos Loucos” representa a tendência que a sociedade tem de afastar tudo o que considera problema, por não saber lidar com ele. Diante dessa perspectiva, fica evidente que essa omissão por parte dos cidadãos é outro fator decisivo na perpetuação do entrave.

Portanto, infere-se que os desafios para combater a falta de empatia nas relações sociais ainda persistem no território brasileiro. Cabe à família, nesse sentido, reforçar o exercício da empatia em casa no dia-a-dia, por meio de atitudes simples, mas que fazem toda a diferença (por exemplo: dedicar-se a escutar o que as pessoas têm a dizer), além disso, cabe à escola, instituição fundamental na formação ética, educacional e emocional, trabalhar a temática nas salas de aula, por meio de atividades lúdicas entre os colegas de turma, com o fito de coibir as consequências dessa insensibilidade social.