ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 15/04/2021

A música “One day”, do cantor estadunidense Matisyahu, enfatiza, em seus versos, a esperança do sujeito em visualizar um mundo em que “não haverá brigas, não haverá guerras”. Infelizmente, no Brasil hodierno, tal anseio está longe de se concretizar, tendo em vista a fata de empatia nas relações socias. Essa problemática é perceptível nas atitudes humanas egoístas e preconceituosas que ferem o bem-estar coletivo. Dessarte, é imperativa a intervenção midiática para alterar esse enredo.

Diante desse cenário, é imprescindível apontar o individualismo presente nas relações entre indivíduos e seu papel na dificuldade de configuração de uma sociedade empática. Com base nisso, o filósofo Gilles Lipovetsky teorizou acerca do egoísmo vigente no meio coletivo contemporâneo que isola o homem do sentimento de compaixão e de compreensão pela situação de seus semelhantes, de modo a favorecer o sentimento de superioridade social. Isto posto, esse padrão de atitude é visível quando, ao invés de praticar a ajuda ao próximo, empreendedores negam pedidos de alimentos vindos de moradores de rua, o que codifica uma conduta desumana, tendo em vista a quantidade de refeições não vendidas e invalidadas que são semanalmente descartadas. Desse modo, o ser humano prima pela satisfação de seu próprio ego, ríspido e inferiorizante, ao passo que se fecha para a construção de relações empáticas de amparo aos seres desprovidos de condições.

Ademais, vale salientar que a reiteração de atos individualistas se agregam na prática da discriminação baseada num ideal conservador de sujeito. Nesse sentido, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda definiu o Brasil como “um país cordial”, no entanto, de modo contraditório, a postura preconceituosa de muitos brasileiros fere tal denominação. Isso pois, a manifestação de ofensas e de agressões racistas, homofóbicas e de gênero simbolizam a falta de compreensão humana da diversidade social de gostos, costumes e raças e o “aprisionamento mental” em torno do estereótipo perfeito de ser humano idealizado em ser homem, branco e heterossexual. Logo, com a não observância das individualidades do próximo, a apatia emerge desenfreada e desumanizada.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas para estimular a empatia nas relações socias. Portanto, cabe ao governo federal, em parceria com as mídias digitais - principais meios de acesso a informações pela população brasileira -, divulgar um projeto de incentivo a práticas benevolentes cotidianas. Assim, por meio da promoção de propagandas que demonstrem atitudes de ajuda ao próximo, como doações e conversas solidárias, e de compaixão e amizade, como o agir com respeito, afeto e simpatia nos meios coletivos cotidianos, tornar-se-á viável o afastamento do egoísmo e do preconceito das relações humanas e a aproximação de um mundo empático como o idealizado nos versos de Matisyahu.