ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 30/04/2021
O desgaste da empatia não é uma invenção atual. No Brasil, tal problema é recorrente e pode ser comprovado pelos elevados índices de crimes de ódio. Diante da precariedade desse contexto, é necessário ressaltar dois fatores principais para a consolidação do impasse - o individualismo do ser humano e a não preocupação das escolas na construção da humanidade entre os jovens. Caso o país queira reverter essa situação, terá de estudar medidas firmes e eficazes de combate.
Em primeiro lugar, é indubitável que o homem atual tornou-se mero fantoche do sistema econômico. Em outras palavras, o capitalismo passou a ditar as regras de convivência social - você é aquilo que possui. Nesse sentido, o materialismo consolidou-se em decadência dos aspectos humanos. No entanto essa não é a melhor maneira de lidar com as discrepâncias entre as classes. Para Kant, o ser humano deve agir de tal forma que tua ação torne-se uma lei universal. Isso significa dizer que as pessoas precisam colocarem-se no lugar dos indivíduos mais vulneráveis. Desse modo, não estarão apenas os ajudando, mas também, sobretudo, irão retomar suas próprias dignidades.
Outrossim, vale ressaltar o papel fundamental da educação na formação de jovens humanos. Antes de tudo, é indispensável afirmar que as instituições de ensino atuais estão direciodas à aprovação no vestibular. Essa forma de ensinar, amplamente conteudista, não é capaz de proporcionar efetivamente aspectos precisos para a construção de indivíduos empáticos. Isso ocorre porque a grade curricular privilegia as áreas de ciências exatas em detrimento das ciências humanas. O infeliz reflexo desse panorama é, portanto, a mecanização do ensino e a precarização da promoção da alteridade.
Diante de tamanha incoerência social, o Estado deve modificar a maneira de difusão dos conteúdos. Esse processo ocorrerá por intermédio da valorização e da capacitação de professores das áreas humanitárias, além da ampliação dessas matérias na grade curricular aliados à feiras e palestras, com o objetivo de não apenas formar cidadãos mais humanos, mas também desconstruir o individualismo moldado pelo sistema capitalista. Quem sabe, assim, o desenvolvimento social poderá deixar de ser uma utopia para o Brasil.