ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 18/04/2021

No livro Bicos Quebrados, um lindo pardal é acometido por uma doença que o deixa sem bico. Os outros pássaros se afastam e acreditam que esse fez por merecer, sem alguma empatia. Assim, a ave vai definhando, até que um homem, também rejeitado pela sociedade, olha para o pardal, o acolhe e nasce assim uma amizade. Certamente, a sociedade brasileira carece dessa empatia para com o outro, em entrevista a rede UOL, a atriz Cléo Pires  afirma que se espanta com as mensagens de ódio que recebe em suas postagens sociais. Além da rede social Twiter que é reconhecida por ser um local de intransigência entre os participantes.

É imprescindível analisar esse comportamento através do sociológo Durkhein, pois essas agressões gratuitas estão fundandamentadas em uma cultura violenta presente na sociedade. Ou seja, estamos diante de um fato social, que para o teórico é uma maneira coletiva de agir e pensar, que está dotado de coercitividade, generalidade e exterioridade. Dessa forma, a estrutura social brasileira inflama o comportamente agressivo, o ódio, o preconceito. É certo que essas características têm raízes históricas, no preconceito racial estrutural desde a ocupação portuguesa, perpertuado por um sistema de ensino alicerçado no individualismo, na concorrência, preocupado mais com o conhecimento técnico que com a formação humana dos discentes. Portanto, a falta de empatia, maximizada pelas redes sociais, é estrutural na cultura brasileira.

A fim de mudar esse triste cenário, se faz urgente fomentar uma educação cidadã, como o educador Paulo Freire defendeu ao longo dos seus estudos. Pois, a instrução inclusiva quebra o medo de se perder os direitos, conforme o mesmo afirma. Ora, esse medo vem do fato de que o brasileiro não reconhece que tem direitos, mas sim privilégios, e por isso, se comporta com violência diante de qualquer progresso social, que é enxergado como uma ameaça. Para tanto a educação democrática, quebra essa lógica, pois trabalha o respeito às diferenças e o reconhecimento de que todos são detentores de direitos e que a sua ampliação é uma forma de garantir a formação de uma sociedade mais empática e solidária.

Portanto, o Ministério da Educação deve reformar os parâmentros curriculares escolares, para colocar como assunto a ser abordado nas salas de aula a empatia e consciência social. A discussão se dará nas escolas, desde a educação infantil até o ensino superior, para assim fomentar a mudança para uma cultura mais sólida, em paralelo deve promover campanhas publicitárias que incentivem a a empatia.