ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 17/04/2021

Conforme o pensamento do filósofo Schopenhauer, o homem sempre irá priorizar sua sobrevivência, embora isso cause malefícios. Tal afirmação pode ser atrelada à questão da falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Afinal, o combate entre existências gerado pelo sentimento de perpetuação da própria vida minimiza a presença da empatia, o qual provoca consequências danosas, como a segregação sociocultural, em meio à sociedade.

Em primeira análise, é perceptível que a ausência de empatia no Brasil foi naturalizada nos costumes dos cidadãos, visto que os hábitos comportamentais são formas de coerção influentes que também passam despercebidas, o que permite a sua continuidade no coletivo, apesar de ser prejudicial. Tal assertiva é confirmada pelo sociólogo Jessé Souza a partir da análise do contingente brasileiro presente em seu livro “A elite do atraso”, o qual afirma que o familismo da sociedade colonial rural e, posteriormente, o culturalismo e valores europeus difundidos no ambiente urbano normalizaram a exclusão de classes menos abastadas e, por conseguinte, a sua demonização, adversidade que impediu a proliferação da empatia na moral brasileira e segue desmembrando a unidade nação.

Ademais, nota-se que tal vicissitude é conservada no trato social por conta de sua notoriedade como instrumento de poder simbólico, já que a hierarquia de importância entre humanos , vigente desde o Brasil colônia, mitiga a empatia e reforça a submissão de indivíduos em relação a outros. Essa realidade é refletida nos estudos de Michel Foucault, os quais destacam que esse poder, antagônico ao conceito de alteridade, é essencial para reafirmar o homem contemporâneo. Nesse mesmo sentido, essa conjuntura é compreendida na obra Vidas Secas, ao reiterar a alusão de tal estrutura no tratamento agressivo do Soldado Amarelo direcionado a Fabiano - ato que igualmente contempla os efeitos hierárquicos da supressão da empatia - e pelo característico estado de seca do local, o qual enraíza a inferiorização pelo próprio protagonista, impedindo-o de sentir empatia por si mesmo.                 Portanto, é fato que a falta de empatia nas relações brasileiras é uma problemática evidente. Logo, é preciso que o Estado, responsável pelo bem-estar geral, certifique que os preceitos constitucionais vigorem por meio de pronunciamentos oficiais informativos, a fim de que o público esteja inteirado sobre o papel fundamental da empatia. Além disso, é necessário que a mídia incentive a alteridade em plataformas em parceria com criadores de conteúdo, com o objetivo de suprimir danos oriundos de sua ausência. Assim, o culto à empatia irá aproximar o Brasil e seus cidadãos.