ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 18/04/2021

No livro “Frankenstein” da escritora Mary Shelley, o monstro criado em laboratório é mal tratado pela sociedade por conta de sua aparência física e por isso vive isolado, em razão da falta de empatia da população. Análogo à isso, é evidente que tal cenário de desrespeito está presente nas relações sociais no Brasil e tem como causa o individualismo e a fragilidade dos relacionamentos atuais.

Em primeiro plano, é notório que uma sociedade egoísta é um dos motivos da existência dessa problemática. Na música “A Cura Tá No Coração” o cantor Gabriel Pensador diz “Cada um fazendo escolhas olhando para o próprio umbigo”. Diante disso, percebe-se que a empatia em escassez no país é fruto de pessoas que deixam de se preocupar com o próximo para se preocupar apenas consigo. Assim, fazem decisões e defendem opiniões nocivas para outros, como discursos de ódio, que apenas as beneficiam.

Em segunda análise, é indiscutível que os relacionamentos no mundo globalizado agrava o problema. Segundo o sociólogo Bauman, atualmente o planeta vive uma modernidade líquida, pois experimenta a fluidez das relações. Dessa forma, nota-se que por conta dos avanços tecnológicos houve um enfraquecimento dos laços humanos, uma vez que as tecnologias proporcionaram um aumento na velocidade das comunicações e uma diminuição no grau de envolvimento da comunidade. Consequentemente, há uma menor capacidade de se colocar no lugar do outro, pois diminui o contato entre indivíduos.

Urge, portanto, que medidas sejam adotadas para acabar com a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Para isso, é necessário que o governo, através do Ministério da Cidadania e em parceria com a mídia, promova campanhas no meio televisivo. Tais campanhas devem mostrar vídeos de situações em que a empatia não prevaleceu, como exemplos machismo, racismo e outras formas de discriminação, e como isso impacta e fere a vítima, com o intuito de fazer a população refletir seus atos e suas interações. Desse modo, cenas como a do romance “Frankenstein” não serão uma realidade brasileira.