ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 18/04/2021
O significado do substantivo empatia em sua definição mais generalista é: saber se colocar no lugar do próximo. Nesse contexto, observando-se a história do Brasil, nunca houve um pensamento empático nas relações, uma vez que inúmeros povos foram dizimados em razão do lucro sobre a exploração das terras. Tal recorte transfigura-se no cenário hodierno, em que a corrupção enraizada na política e na cultura brasileira retira de milhões de cidadãos o acesso à diretos básicos. Com isso, vale a pena analisar as perspectivas que ilustram tal conjuntura.
Torna-se relevante de início, caracterizar os moldes sobre os quais foi construída a história do país e que infelizmente ainda guia o olhar da população. Nesse tocante, sabe-se que a visão eurocêntrica que esteve presente durante a contrução da nação foi a precursora das desigualdades enfrentadas na atualidade. A marginalização de negros e o não respeito à culturas indígenas são um exemplo desse fato, visto que crimes de ódio motivados pela raça das vítimas foram identificados em mais da metade dos Estados segundo o Mapa do Ódio de 2018. Com efeito, embora atualmente existam políticas públicas que tentam corrigir essa dívida histórica com essas minorias, ainda são identificados inúmeros casos de intolerância e preconceito na sociedade. De fato,enquanto não houver uma puniçao mais severa e o levantamento dessas pautas no ambiente escolar, a empatia não estará sendo exercitada.
Outrossim, a corrupção estrutural do sistema político é outro mecanismo que perpetua a intolerância no corpo social, pois é a causa principal das desigualdades. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do globo. Tal informação evidencia as consequências de anos de roubos dos cofres públicos para interesses privados, e não coletivos. Esse processo impede o desenvolvimento da nação, pois sem investimentos em educação e acesso à saúde de qualidade é impossível que os indivíduos prosperem. Desse modo, os grupos abastados perpetuam seus privilégios, o que agrava as disparidades econômicas e, por conseguinte, extingue a alteridade. Decerto, a repetição desse processo ao longo de mais de 500 anos é um grande exemplo do que uma nação que busca ser mas empática com o seu povo não deve fazer.
Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, cabe ao MEC modificar o Currículo Comum, adicionando às suas diretrizes habilidades que estimulem os estudantes a fazer uma relação entre a falta de empatia e as desigualdades, essas mudanças poderão estar associadas ás diciplinas de história e socologia. Tomando-se essa medida, será possível exercitar a cidadania e permitir que a próxima geração tenha mais conhecimento acerca da realidade do país e possam, de fato, passar por uma mudança de pesamento.