ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 19/04/2021
No livro Bicos Quebrados, um lindo pardal é acometido por uma doença que o deixa sem bico. Os outros pássaros preocupados com a caça ao alimento se afastam e não o ajudam, por acreditarem que se tem menos um concorrente. A sociedade brasileira age como essas aves, sem se preocupar com o outro, com por exemplo, em relação aos Direitos Humanos. Em uma pesquisa da rede BBC foi constatado que entre três pessoas, duas acreditam que os direitos humanos sirvam mais para a defesa de bandidos que para os cidadão de bem, e que, portanto, o dar tal direito é retirar esse da sociedade. Esse comportamento do não reconhecimento do outro tem suas raízes na formação social brasileira.
Primeiramente cabe salientar que não se trata de uma postura individual, tem-se aqui o fato social de Durkhein, esse definido como práticas coletivas de agir e pensar, dotado de coercitividade, generalidade e exterioridade, portanto, há uma força interna social que estimula o individualismo no brasileiro em geral. Sendo assim, conclui-se que a cultura brasileira está cercada de preconceitos e violências, como exemplo tem-se a resistência à expansão dos direitos para os homoafetivos, o racismo social, que gritam a falta de empatia. Porém, esse fato social não é o que se espera, logo ele é tido como patológico, pois desenvolveu características que corrompem a pluralidade social.
Destarte, que essas características têm raízes históricas, principalmente no preconceito racial que estruturou o Brasil desde a ocupação portuguesa, que incultiu uma cultura de negar ao outro o direito que se pretende para si, de inferiorizar aquilo que não corresponde ao igual. Assim, conforme Hannah Arendet, a sociedade se acostumou com o mal, banalizando e corroborando com a violência que assola o país. Ademais, os privilégios que a Coroa dava a certos cidadãos de bem, como os cargos administrativos e o direito a cobrar impostos, fomentou a ideia de que não se tem o direito a ter direito, o que se tem são privilégios, e o compartilhamento desses significa ficar sem nada, e tal pensamento desestimula a empatia, que é justamente se colocar no lugar do outro. Dessa forma, o brasileiro fica como os pássaros, preocupados e presos em sua própria sobrevivência.
Portanto, para mudar o presente quadro e incentivar a empatia na sociedade brasileira, faz-se imperioso que o Ministério da Educação em parceria com as instituições de ensino, centro comunitários e organizações não governamentais, promova cursos e oficinas em que se discuta a empatia e o respeito à diversidade, para assim incentivar olhares e práticas empáticas para o com o outro, e dessa forma promover a empatia e o reconhecimento do outro e a si mesmo como ser de direito.