ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 20/04/2021
A obra ‘‘Crime e Castigo’’ de autoria de Fiódor Dostoiévski, ambientada na Rússia imperial do século XIX, enfoca um protagonista vítima de injustiças sociais e negligência emocional de todos ao seu redor, os quais, devido à condição de vulnerabilidade causada pelo modelo sociopolítico desigual em que estão inseridos, não compreendem os problemas psicológicos da personagem principal como prioridades. Semelhante à ficção, o âmbito brasileiro possui a falta de empatia nas relações como consequência de um corpo social historicamente disfuncional, no qual os indivíduos, em particular as parcelas desfavorecidas, estão sujeitos à conexões sociais pré-determinadas por fatores socioeconômicos e interesses interpessoais, de modo a corroborar tanto para o aumento das desigualdades sociais, quanto para a criação de ligações emocionais e profissionais problemáticas.
A priori, é imprescíndivel pontuar que a gênese dos vínculos interpessoais disfuncionais, prejudiciais às classes baixas, é oriunda de fatos ocorridos há mais de cinco séculos, uma vez que, a colonização exercida pelo império português contra as comunidades índigenas do século XVI foi pautada na exploração dos recursos naturais, escravização e extermínio dos nativos. Segundo a historiadora Lilia Schwarcz, houve a dizimação 75% das populações tupiniquins existentes, em função do acúmulo de riquezas para o projeto mercantilista lusitano. Observa-se, o cerne histórico de relações desprovidas de validação dos sentimentos e direitos de outrem, baseadas em manter pequenas parcelas dominantes sobre a maioria, perpetuando as disparidades socioeconômicas.
A posteriori, é relevante ressaltar que as conexões modernas têm seu valor definido pelo que podem proporcionar aos indivíduos envolvidos, sendo tratadas como formas de alcançar-se outras finalidades, sendo substituída a relação tida como desvantajosa, fato que implica em problemas psicológicos, como a ansiedade e depressão, para as partes incluídas. Em contrapartida, a ‘‘Fórmula da Humanidade’’ de autoria do filosófo alemão Immanuel Kant, postula que tratar qualquer ser humano como um meio, não como um fim, é a base para todos os comportamentos cruéis, pois, um fim é algo desejado em si, motivador de atitudes individuais, e meios são o que usamos para atingir algum objetivo crucial, que caso fracassem, serão trocados por modos mais eficazes.
Nesse sentido, urge que palestras de reeducação emocional sejam concedidas pelo Sistema Único de Saúde por meio dos Centros de Atendimento Psicossociais de cada região do país, com o intuito de corrigir a mentalidade em que relações interpessoais são úteis apenas na realização de metas, a fim de que à medida que a empatia seja promovida entre as pessoas, os índices de transtornos psicológicos e discrepâncias sociais diminuam, para alcançarmos uma sociedade mais humanitária.