ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 20/04/2021
No livro “O ensaio sobre a cegueira” de Saramago, pessoas são acometidas por uma cegueira repentina, e são levadas para um local onde ficam isoladas e excluídas, tratadas como escória, sem qualquer empatia. Em analogia, a sociedade brasileira se comporta da mesma forma ao se relacionar com o outro, por exemplo, a relação do cidadão com os direitos humanos, em uma pesquisa da rede BBC foi constado que dois entre três brasileiros afirmam que tais direitos servem apenas para proteção de bandidos. Ora, tal estudo constata a dificuldade que a população tem em se colocar no lugar do outro. É fato que esse comportamento cultural está intrisecamente ligado à formação histórica do país, visto que, foi fundado com alicerces preconceituosos, individualistas e elitista.
Primeiramente esse comportamento cultural da nação está na estrutura da construção do brasileiro social. Já no tempo do Brasil colônia, o preconceito racial, a cultura de negar ao outro o direito que se pretende para si, de inferiorizar aquilo que não corresponde ao igual fazia parte tanto do discurso oficial quanto das práticas cotidianas. Assim, conforme Hannah Arendet, a sociedade se acostumou com o mal, banalizando e corroborando com a perpetuação da violência. Ademais, os privilégios que a Caroa dava a certos cidadão de bem, como os cargos administrativos, fomentou a ideia de que não se tem o direito a ter direitos, o que se tem são privilégios e o compartilhamento desses significa ficar sem nada, e tal pensamento desestimula a empatia, que é justamente se colocar no lugar do outro.
Decerto, que esse comportamento pode ser enquadrado na teroria do fato social de Durkhein, visto que, não se trata de uma postura individual, mas sim uma prática coletiva de agir e pensar, dotado de coercitividade, generalidade e exterioridade. Logo, o trajeto cultural brasileiro o estimula a ser individualista e violento em relação ao outro, marcando as relações sociais com os crimes de ódio e atentados contra a dignidade humana. Por conta dessa herança cultural, faz-se urgente que o Estado trabalhe para a quebra desses costumes, portanto, é necessário uma postura governamental que promova a igualdade entre os cidadãos, fornecendo os instrumentos necessários para que esses se reconheçam como seres de direitos, e assim, fomentar um fato social que leve a sociedade a agir com respeito e solidariedade.
Portanto, para mudar o presente quadro e incentivar a empatia na sociedade brasileira, faz-se imperioso que o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, centro comunitários e organizações não governamentais, promova cursos e oficinas em que se discuta a empatia e o respeito à diversidade, para assim incentivar olhares e práticas empáticas com o outro, e dessa forma promover a empatia e o reconhecimento do outro e a si mesmo como ser de direito.