ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 27/04/2021

A Constituição Federal de 1988 garante que todo cidadão brasileiro tem direito ao respeito e a uma vida digna. Entretanto, levantamentos da organização Words Heal the World demonstram que os crimes de ódio estão presentes em quase todos os Estados do país, o que contraria premissas constitucionais. Em virtude disso, emerge um delicado problema em razão da forte falta de empatia e da mentalidade preconceituosa disseminada na sociedade, o individualismo e a distância são fatores que agravam essa situação.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o individualismo intenso é uma das causas da falta de alteridade no Brasil. Conforme o filósofo polonês Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, uma das características do mundo moderno é o extremo pensamento individual. Nesse sentido, as pessoas são muito alheias as condições físicas, sociais e culturais de outras, o que cria uma barreira entre diferentes grupos. Sendo assim, essa dificuldade para lidar com as diferenças torna os seres humanos egoístas e competitivos, visto que reconhecem as distinções como características segregadoras.

Em segundo lugar, deve-se reconhecer como o distanciamento impede a efetivação da empatia. Para o bom funcionamento do coletivo, todas as suas partes devem se ajudar para fazê-lo progredir, ao invés de recuar ao perceber que alguém está com dificuldades em exercer sua função, pois, a execução geral de um projeto pode não dar certo. Isso se explicita no conceito de sociedade para a Biologia, que a traz como uma relação intraespecífica harmônica, onde indivíduos cooperam entre si e estabelecem a divisão do trabalho. A garantia de que o grupo consiga alcançar determinada meta é justamente realizada através da empatia entre todos os membros do mesmo.

Infere-se, portanto, que a condição atual do país é caótica e pede por mudanças. Para tal, o Ministério da Justiça, por meio de parcerias com ONG’s nacionais que trabalham com a temática do ódio deve elaborar campanhas e vídeos nas redes sociais a partir de relatos de vítimas de crimes e preconceitos. A fim de criar um sentimento de empatia na sociedade brasileira e expor os prejuízos legais contra os agressores. Assim, será possível assegurar que os direitos previstos na Carta Magna sejam garantidos.