ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 20/04/2021

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à falta de empatia nas relações sociais. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: o déficit educacional e o legado histórico.

Deve-se pontuar, de início, que a educação deficitária configura-se como um grave empecilho no que diz respeito à falta de empatia no Brasil. Nesse sentido, segundo o filósofo Immanuel Kant: “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Tomando como norte a frase do autor, concluímos que a ocorrência de cenas hodiernas de desrespeito, intolerância, crimes e entre outras situações que tem em seu cerne a falta de empatia, possuem a educação falha como um dos fatores impulsionadores.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão do legado histórico. Desse modo, refletindo sobre as origens do Brasil, encontraremos tristes heranças de uma sociedade escravocrata e patriarcal, onde a falta de empatia é refletida até a contemporaneidade. O pensador chinês Confúcio defende que “estude o passado se quiser decifrar o futuro.” Ou seja, ao observarmos o passado do país notamos o reflexo atual como o relatado no “mapa do ódio” de 2018, pesquisa realizada pela UFS, demonstrando que crimes motivados por raça e gênero são registrados em todo o território brasileiro. Uma realidade lamentável que perdura por séculos.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com os ministérios da educação e da cultura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância da empatia no convívio social. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao se colocar no lugar do próximo. Talvez, assim, a sociedade brasileira “saia da caverna” para uma realidade melhor.