ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 21/04/2021

No filme americano ‘‘Karatê Kid’’ o sensei da escola de karatê ‘‘Cobra Kai’’ ensinava aos seus alunos a não ter compaixão pelos adversários valendo-se de meios pouco empáticos para alcançar a vitória. Fora da ficção, a falta de empatia circunda as relações sociais no Brasil, seja no esporte, nas escolas ou no trabalho. Tal cenário, é reflexo da tecnização do ensino e a perseguição moderna pela alta performance.

Em análise, muitas escolas e universidades são focadas na formação técnica de indivíduos para o mercado de trabalho negligenciando o ensino humano – base das relações sociais. Por definição, empatia é a habilidade de colocar-se no lugar do outro e enxergar o mundo com outros olhos, mas como toda habilidade, deve ser trabalhada e incentivada desde a infância para que formem-se indivíduos não apenas capazes de decorar fórmulas, mas que hábeis em perceber a dor do próximo e ter compaixão. Ademais, a tecnização do ensino segrega os saberes e enaltece ou diminuiu indivíduos por sua capacidade produtiva como no filme ‘‘Tempos Modernos’’ de Charles Chaplin – onde debate-se a especialização fordista.

Outrossim, com o desenvolvimento da sociedade capitalista, a individualização nos relacionamentos sociais foi ficando mais evidente. Desse modo, o filósofo francês Gilles Lipovetsky caracteriza como hipermodernidade o reflexo desse estilo de vida do capital que promove o individualismo humano, tão comum em relação não empáticas. Nesse ínterim, hodiernamente vive-se a era da alta performance, onde exige-se que os indivíduos sejam multitarefas e tenham alto rendimento em tudo que faz, sendo tal filosofia de vida prejudicial pois cega os indivíduos e promover um ambiente onde vencer é mais importante que competir, ignorando a necessidade de empatia com o próximo. Precipuamente, a hipermodernidade de Lipovetsky gera de empatia – causa fatorl do individualismo.

Dado o exposto, promover empatia é o motor para gerar relações mais sólidas. Logo, é dever das escolas brasileiras ensinar tal conceito e inserir o debate sobre empatia desde os primeiros anos – com peças teatrais, leitura de livros ou palestras – por meio da criação de espaços na nota curricular para tais momentos a fim de auxiliar na formação de indivíduos comprometidos com o bem-estar social. Dessa maneira, possível será observar relações empáticas desde a infância, diferentemente do que ocorria no filme ‘‘Karatê Kid’’.