ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 23/04/2021
O filme “O menino do pijama listrado” retrata a amizade improvável entre um garoto alemão, filho de um oficial de Hitler, e um judeu. Apesar da diferença social, o menino germânico sente empatia pelo amigo e tenta ajudá-lo como pode, colocando sua vida em risco por conta disso. O que se observa na realidade, no entanto, é o inverso do que é abordado na trama, haja vista a antipatia nas relações sociais brasileiras. Nesse contexto, nota-se a configuração de um grave problema, seja pela disseminação de ódio, seja pelo desrespeito aos direitos humanos.
Diante desse cenário, cabe pontuar o discurso de ódio como resultado da falta de empatia das pessoas. Nesse sentido, no livro “1984” de George Orwell, os personagens tiram um minuto do dia para destilar seu ódio em frente de uma tela. Ocorre que, no Brasil, os sujeitos hostilizam não só por um minuto, mas por horas, dias e até anos, sem se preocupar com os efeitos nocivos dessa maldade. Nessa esteira, é comum os agressores usarem as redes sociais para ferir a intregridade dos usuários de forma anônima, o que acarreta danos morais e psíquicos, como a depressão. Dessa forma, enquanto a ausência de afetividade persistir nas relações interpessoais, o país será obrigado a conviver com a violência e a hostilidade.
Ademais, a apatia é a catalisadora da infração dos direitos humanos. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988 garante os direitos de respeito e diginidade humana. Entretanto, o que acontece na prática é o contrário do que é previsto na lei, tendo em vista a indiferença de muitos sujeitos em situações cotidianas, como o desrespeito às vagas exclusivas de pessoas com deficiência e idosos em estacionamentos, ou o desacato aos assentos preferenciais em transporte coletivo público. Tudo isso prejudica a harmonia da comunidade, além de comprometer a integridade moral dos cidadãos. Logo, é incoerente que uma nação tão diversa apresente casos de indiferença e antipatia pelo próximo.
Conclui-se, portanto, que ações são necessárias para atenuar as consequências da falta de empatia na interação social brasileira. Para isso, é dever da escola - Instituição responsável pela formação cidadã - abordar, desde a tenra idade, o conceito de empatia, por meio das aulas de Sociologia, bem como oficinas em grupo que trabalhem as competências socioemocionais, como o respeito e consciência social, para que no futuro os alunos possam ser cidadãos mais empáticos, não violentos e tampouco pessoas que prejudicam o convívio em sociedade. Somente assim, tal hiato reverter-se-á, sobretudo na perspectiva tupiniquim, e os brasileiros poderão ser mais afetuosos, assim como os dois amigos da obra cinematográfica.