ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 21/04/2021
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à falta de empatia nas relações sociais. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: o déficit educacional e o legado histórico.
Deve-se pontuar, de início, que a educação deficitária configura-se como um grave empecilho no que diz respeito à falta de empatia no Brasil. Nessa perspectiva, segundo o filósofo Immanuel Kant: “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.” Tomando como norte a frase do autor, concluímos que a ocorrência de cenas hodiernas de desrespeito, intolerância, crimes e entre outras situações que têm em seu cerne a falta de empatia, possuem a educação falha como um dos fatores impulsionadores.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão do legado histórico. Desse modo, refletindo sobre as origens do Brasil, encontraremos tristes heranças de uma sociedade escravocrata e patriarcal, onde a falta de empatia é refletida até a contemporaneidade. O pensador chinês Confúcio defende que “estude o passado se quiser decifrar o futuro.” Ou seja, ao observarmos o passado do país notamos o reflexo atual como o relatado no “mapa do ódio” de 2018, pesquisa realizada pela UFS, demonstrando que crimes motivados por raça e gênero são registrados em todo o território brasileiro. Uma realidade lamentável que perdura por séculos.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura devem promover palestras e debates em escolas sobre a importância da empatia no convívio social, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tal ação deve acompanhar uma cartilha para informar o que caracteriza um cidadão empático e quais benefícios são decorrentes disso. Espera-se, com isso, uma comunidade mais harmônica que compreenda questões relativas ao se colocar no lugar do próximo. Talvez, assim, a sociedade brasileira “saia da caverna” para uma realidade melhor.