ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 25/04/2021
A música “O beco”, lançada pela banda brasileira Paralamas do Sucesso, no final dos anos 80, colocava em debate o fenômeno da incapacidade de se indignar diante da violência: “Nada mais me deixa chocado” - dizia sua letra. De lá para cá, as injustiças, as desigualdades sociais, bem como a indiferença diante delas, tem se ampliado, tornando urgente o debate sobre a construção da falta de empatia. Mas é preciso ter em mente que a impossibilidade de se sensibilizar com a dor do outro é antinatural e pode ser desconstruída no âmbito da relação entre escola e comunidade.
Nessa perspectiva, no campo das neurociências, essa ideia é corroborada pela descoberta dos “neurônios-espelho”, que formam um sistema neural implicado com a possibilidade de o ser humano se emocionar com as experiências alheias e, numa linha evolutiva, está ligado à sobrevivência da própria espécie. A isso, some-se a contribuição da Psicologia do Desenvolvimento, com destaque para L. S. Vigotski, sobre o entendimento do entrecruzamento dos aspectos biológicos e culturais na gênese dos modos de sentir, pensar e agir. Portanto, a desconstrução da falta de empatia nada tem a ver com a polarização do mundo em pessoas boas ou más. Tal postura alimenta discursos de ódio, tão somente.
Ademais, a reflexão sobre as frias relações interpessoais requer um olhar para as práticas formativas numa sociedade excludente, individualista e consumista, produtora de subjetividades do tipo “salve-se quem puder”, ou seja, recortadas do compromisso com a coletividade. É por isso que todas as instituições com aspecto educativo, como família, meios de comunicação e, em especial, a escola precisam estar atentas aos valores propostos ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.
No que se refere à escola, cabe-lhe valorizar o componente socioeducacional das aprendizagens curriculares, proporcionando vivências dos estudantes em realidades diferentes, com atividades como visita a abrigos de idosos e a crianças hospitalizadas, para que construam desde cedo uma postura solidária diante do sofrimento das pessoas.