ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 22/04/2021

Hoje em dia, a harmonia nas relações sociais encontra-se à míngua. O egoísmo, ao lado do orgulho, da insensibilidade, da incompreensão do outro, da instabilidade nos relacionamentos e, principalmente, do preconceito, corroboram com esse quadro. Como consequências negativas da falta de empatia, tem-se bolha de isolamento, indiferença e superficialidade. Inquestionavelmente, o resultado desse distúrbio guia para uma ampliação dos crimes de ódio. Com o intuito de remediar essa situação, precisa-se defrontar o egoísmo e o preconceito.

Antes de tudo, o egoísmo é tido como o oposto da empatia. Esse amor exagerado aos próprios interesses a despeito de outrem leva a um individualismo descomedido. Esse egocentrismo é notado, com consequências catastróficas, no vigente ambiente pandêmico, em que as pessoas se recusam a utilizar máscaras em virtude das crenças e das idolatrias estimuladas pelas redes sociais. Nesse sentido, um estudo sobre o perfil psicológico desses brasileiros que se opõem ao uso de máscaras, executado entre março a junho de 2020, foi publicado pela revista “Personality and individual differences”. As principais constatações da pesquisa foram: níveis altos de insensibilidade, tendência ao engano e autoegano e comportamentos de riscos, mas ao contrário do que se esperava, a empatia foi a variável com o menor grau correlação a essa conduta, ou seja, nesse caso o egoísmo não era precisamente sua antagônica. Dessa maneira, essa particularidade estava mais relacionada ao comportamento antissocial.

De maneira idêntica, o preconceito é altamente danoso para a sociedade, fomentando violência e criminalidade, ocorrências essas testemunhadas pelos brasileiros no cotidiano. O pré-julgamento cristalizado na mente dos cidadãos compromete, sobremaneira, a integridade física e emocional das pessoas, algumas vezes de maneira irreversível. Esse fato pode ser inegavelmente percebido no alarmante aumento do número de feminicídio no Brasil na época presente. Só para exemplificar, em uma reportagem. jornal “Estado de Minas”, a mais alta autoridade do país prometeu em um discurso a seus apoiadores a urgência de um projeto pautando a ideologia de gênero. Como sequela, muitos de seus seguidores sentiram-se legitimados a dar continuação a esse comportamento deletério pela ausência da crença de culpabilidade.