ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 22/04/2021

Em 1989, a queda do Muro de Berlim, que pôs fim à Guerra Fria, deixou ao mundo a mensagem simbólica de que o caminho para a paz mundial envolve derrubar muros e construir pontes. Não obstante, no Brasil, a atual conjuntura social evidencia que a incapacidade do indivíduo de pensar como sociedade, agindo com empatia, é preponderante para a construção de obstáculos sociais, resultando na crescente marginalização dos grupos menos favorecidos e no agravamento de doenças psicológicas na população. Por isso, torna-se necessário o debate acerca desses fatores.

Em primeiro lugar, é relevante abordar o preconceito como uma das consequências imediatas da falta de compreensão pelo outro nas relações sociais. De acordo com Habermas, a comunicação é uma verdadeira forma de ação. Nessa lógica, quando não há a abertura ao diálogo, não há a troca de experiência e entendimento entre os agentes, que ficam susceptíveis a julgamentos falsos sobre o outro. Assim, esse contexto contribui para o surgimento do preconceito, xenofobia, racismo, machismo, dando continuidade ao processo de segregação social dos grupos atingidos por essas formas de violência, como imigrantes e pessoas com diferentes orientações sexuais.

Outrossim, conforme a ideia de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, ao mesmo tempo em que a globalização conecta intensamente o globo terrestre, torna também as relações sociais mais vulneráveis, a partir do enclausuramento do homem em seu individualismo e em suas bolhas sociais. Desse modo, a ação de se colocar no lugar do outro fica comprometida, gerando embargos traumáticos para uma pessoa que, por exemplo, precisa de ajuda, seja ela psicológica ou material. Consequentemente, a sociedade fica adoecida e sujeita a transtornos como depressão, ansiedade e suicídio.

Fica claro, portanto, que a empatia é mais do que uma questão de humanidade: é também uma ferramenta necessária à promoção da isonomia e da saúde pública. Logo, a fim de minimizar essa problemática, é imprescindível que o Governo, na representação do Ministério da Educação, insira na educação de crianças, jovens e adultos disciplinas que trabalhem a inteligência emocional e o desenvolvimento do indivíduo em sociedade de forma saudável, por meio da reformulação da Base Nacional Comum Curricular. Ademais, ONGs podem utilizar o espaço cibernético para difundir campanhas de apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade, a exemplo da ação social desenvolvida pela blogueira Polly Oliveira em sua página no Instagram. Enfim, a partir desses fatores, o ecoar das paredes do Muro de Berlim caindo ao chão poderá representar também o avanço de uma sociedade mais solidária.