ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 27/04/2021

Segundo a máxima do teórico e filósofo inglês Thomas Hobbes, as ambições e vontades individuais dos homens impedem o relacionamento harmônico na sociedade. Nesse sentido, a empatia, capacidade de se projetar no lugar do outro, atua como fator apaziguador nas relações sociais. Entretanto, no Brasil contemporâneo, tal virtude tem sido negligenciada em detrimento da supervalorização do individualismo. Dessa maneira, percebe-se, como consequência, a consolidação da discriminação e da superficialidade nas relações humanas.

Em primeira análise, cabe citar a ausência de empatia como fator para construção de pensamentos e ações baseadas em preconceitos. Isso ocorre porque cria-se uma ideologia de superioridade de determinada característica de um indivíduo em relação ao outro. Nesse viés, alguns grupos sociais tendem a ser inferiorizados, e, em casos extremos, violentados físico, psicológico ou emocionalmente. Analogamente, de acordo com dados divulgados pelo Words Heal the World, em 2019, houve um aumento de 1,95% nos crimes de ódio no Brasil. Dessa maneira, se estabelece uma cultura do medo, em que parte da sociedade receia se expressar por estar em constante ameaça de sofrer violência.     Outrossim, vale ressaltar o caráter superficial dos vínculos sociais como impulsionador da problemática. De acordo com o filósofo polonês Zygmunt Bauman na vida moderna, os relacionamentos são os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos da ambivalência. Analisando o pensamento e relacionando-o à realidade, a partir do século XX, com o avanço das tecnologias e a inserção da internet no cotidiano hodierno, a comunicação virtual tornou-se mais acessível e instantânea. Nesse contexto, porém, origina-se uma dificuldade de estreitamento de vínculos afetivos, em prol da impessoalidade nos relacionamentos. Assim, a falta de profundidade nas relações sociais corrobora para uma perspectiva egoísta do ser.

Portanto, medidas são necessárias para resolução desse impasse. Urge que o Ministério da Educação, provedor da educação nacional, em conjunto com a mídia, veículo de comunicação entre Estado e sociedade, crie, campanhas publicitárias nas redes sociais e espaços públicos de debates, que desconstruam pensamentos discriminatórios, estimulem ações de caráter empático e valorizem as relações sociais. Somente assim, será possível combater a passividade nacional sobre a falta de empatia na sociedade.