ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 24/04/2021

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer em seu estado inicial quando a força resultante exercida sobre ele é zero. Fora da Física, é possível perceber a mesma condição no que diz respeito à falta de empatia nas relações sociais no Brasil, que segue sem uma intervenção que a resolva. Diante dessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à questão da ausência de fraternidade, que persiste em virtude da lenta mudança na mentalidade social, além da falta de debate acerca do tópico.

Em primeira análise, a lenta mudança na mentalidade social mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é percebido que a questão da carência de empatia é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua neutralização ainda mais complexa.

Além do mais, ressalta-se que a falta de debate sobre o assunto configura-se como um entrave no que se refere à falta de compaixão pelo outro. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna quanto à discussão em torno da dificuldade de se conectar com o próximo, que tem sido negligenciada. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é dificultada.

É evidente, portanto, que tais obstáculos precisam ser solucionados. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o Ministério da Educação, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas em semanas culturais nas escolas. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras com sociólogos que orientem sobre as consequências da falta de empatia pela sociedade para os jovens e familiares, com embasamento científico. Visando, então, a quebra de paradigmas socialmente alimentados e a formação de cidadãos mais atuantes na busca de soluções para empecilhos que impedem a construção de uma convivência harmônica.