ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 27/04/2021
Durante a formação do Brasil, observamos uma nação desigual, o que é refletido no primeiro contato entre portugueses e índios, relatado por Pero Vaz de Caminha. Em seu discurso, o escrivão da armada de Cabral explicita a ausência de empatia nas relações sociais estabelecidas, as quais suscitavam o desejo exploratório, e isso perdura hodiernamente. Dessa forma, tal problemática promove a desigualdade social e perpetua a violência contra grupos minoritários. Ante o exposto, é necessário adotar medidas saneadoras para o caso em tela.
Em primeiro plano, destaca-se a forte discrepância entre as classes sociais, a qual gera privação da educação de qualidade para os que detém menor capital, sendo que isso restringe o desenvolvimento do senso crítico e a tomada de decisão. A ideia exposta segue em conformidade com o escritor pernambucano Paulo Freire, cujo o ensaio “Pedagogia do Oprimido” dedicado aos “esfarrapados do mundo” relata a educação bancária como instrumento de opressão. Ademais, é inaceitável que o Estado, como principal promotor da educação formal, mantenha-se inerte e adote um posicionamento nocivo e anômico, consoante a teoria de Émile Durkheim, denotando descaso em suas funções.
Em segunda análise, concordante com a anomia estatal, nota-se a perpetuação da violência contra negros. De acordo com dados recentes da revista Carta Capital, mais da metade da população carcerária brasileira é composta por pessoas afro descendentes. Esse número expressivo é fruto do menor acesso desse público à educação e ao mercado de trabalho. Logo, a ausência de identificação pessoal está intimamente ligada nesse processo. Ainda que o país tenha fortes raízes colonialistas, não pode-se permitir a continuidade dos traços abusivos. É inaceitavel reviver o enredo de “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freyre, cujo papel dos habitantes da senzala era satisfazer os privilégios da casta dominante.
Outrossim, frente à falta de equidade social e à violência sofrida pelos menos favorecidos é importante adotar medidas eficazes de resolução. Portanto, é imperativo que o Ministério da Economia destine verbas para a ampliação das universidades públicas, aumentando o quantitativo de vagas para os mais pobres, por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de democratizar o acesso à educação e ao mercado de trabalho. Desse modo, as discrepâncias causadas pela ausência de empatia serão mitigadas.