ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 25/04/2021

No filme “O poço”, é feita uma crítica às sociedades contemporâneas, retratando o egoísmo e o desprezo ao próximo. Não apenas ficcional, no Brasil, a empatia se encontra ausente em parte das relações sociais e a normalização desse fato tornar sua superação dificultosa. Isso se deve não apenas ao uso inconsciente das redes midiáticas, mas também à fragilidade das conexões entre os indivíduos.        Em primeira análise, o desafeto foi intensificado pelo uso irresponsável das redes sociais. Além disso, as atitudes on-line refletem a sociedade atual, ainda mais, influenciam a vida fora do território virtual. Nesse sentido, de acordo com o jornal O globo, no Brasil, mais de 80% das postagens voltadas às minorias nas mídias são de discurso de ódio, demonstrando a intolerância e a falta de empatia perante as diferenças. Logo, é visível a atitude indiscriminada nas plataformas para ofender e ridicularizar outros internautas. No entanto, a atitude passiva, sem regulamentação, dos administradores das redes resulta na normalização do comportamento hostil.

Ademais, a fragilidade das relações possibilita o aumento do egoísmo e a busca pelo bem próprio sem considerar as consequências negativas aos demais. Nessa analogia, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman associa a contribuição dos tempos modernos para o egocentrismo. Consequentemente, há a formação de uma sociedade pouco apegada ao sentimento alheio. Desse modo, a busca incessante para suprir as necessidades individuais torna as relações sociais fragilizadas e, senão for para benefício próprio, não é conveniente o olhar e a sensibilidade ao sentimento do outro.

Portanto, há a necessidade formação de relações mais harmônicas, mesmo que nas plataformas virtuais, para superar a ausência de empatia nas sociedades modernas, pois é visível sua influência maléfica ao bem comum. Sendo assim, cabe à empresa Facebook – detentora do domínio dos principais meios comunicativos on-line – a criação de campanhas de incentivo a ações empáticas, por meio de vídeos e textos com linguagem acessível aos internautas. Além de tudo, para maior aceitabilidade pública, deverá ser feita uma parceria com influenciadores. Objetiva-se, com isso, erradicar os discursos de ódio nas redes e incentivar a observância e percepção do olhar do outro, não apenas nas mídias, mas em todas as relações pessoais.