ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 25/04/2021

Empatia em sua definição mais generalista é: colocar-se no lugar do próximo. Nesse contexto, observando-se a história do Brasil, nunca houve um pensamento empático nas relações, uma vez que inúmeros povos foram dizimados em razão do lucro sobre a exploração das terras. Tal recorte transfigura-se no cenário hodierno, em que a corrupção enraizada na política e na cultura brasileira retira de milhões de cidadãos o acesso a diretos básicos. Com isso, vale a pena analisar as perspectivas que ilustram tal conjuntura.

Torna-se relevante, de início, caracterizar os moldes sobre os quais foi construída a história do país e que infelizmente ainda guia o olhar da população. Nesse tocante, sabe-se que a visão eurocêntrica que esteve presente durante a construção da nação foi a precursora das desigualdades enfrentadas atualmente. A marginalização de negros e indígenas são um exemplo desse fato, visto que crimes de ódio motivados pela raça das vítimas foram identificados em mais da metade dos Estados, segundo dados coletados pela ‘Words Heal The World’, em 2018. Com efeito, embora haja políticas públicas que tentam corrigir essa dívida histórica com essas minorias, ainda são identificados inúmeros casos de intolerância e preconceito na sociedade. De fato, enquanto não houver uma punição mais severa e o levantamento dessas pautas no ambiente escolar, a empatia não estará sendo exercitada.

Outrossim, a corrupção estrutural do sistema político é outro mecanismo que perpetua a intolerância no corpo social, pois é a causa principal da disparidade de renda. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do globo. Tal informação evidencia as consequências de anos de roubos dos cofres públicos para interesses privados, e não coletivos. Esse processo impede o desenvolviemnto da nação, pois sem investimentos em educação e acesso a saúde de qualidade é impossível que os indivíduos prosperem. Desse modo, os grupos abastados perpetuam seus privilégios, o que agrava as disparidades econômicas e, por conseguinte, extingue a alteridade. Decerto, a reprodução desse processo ao longo de mais de 500 anos é um grande exemplo do que uma nação que busca ser mais empática não deve fazer.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, cabe ao MEC, orgão máximo no âmbito educacional, modificar o Currículo Comum, adicionando às suas diretrizes habilidades que estimulem os estudantes a fazer uma relação entre a falta de empatia e as desigualdades. Essas mudanças poderão estar associadas às diciplinas de História e Sociologia. Por fim, tal ação deverá ser executada por meio de palestras acompanhadas por profissionais capacitados, buscando-se que o processo aconteça da forma mais didática possível.