ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 01/05/2021
A Constituição de 1988, documento jurídico de maior importância do país, prevê em seu sexto artigo, o direito à igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Apesar disso, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, seja pela carência estatal em prover medidas que combatam o preconceito e incentivem a empatia, seja pela alienação parental. Desse modo, faz-se necessário a ànalise dos fatores que favorecem esse infeliz quadro no Brasil contemporâneo.
Dessarte, é válido analisar a ineficiência governamental em promover a empatia e mitigar a discriminação. Nesse sentido, o preconceito disseminado pelo país somado ao individualismo da sociedade e a escassez de mecanismos que promovam uma boa educação pública faz com que o número de crimes de ódio à religião, gênero, raça ou orientação sexual ainda sejam alarmantes no Brasil, afetando, principalmente, os mais pobres que, por conta da sua baixa renda, ficam reféns do sistema individualista e segregatório brasileiro. Essa conjuntura, de acordo com os pensamentos de Thomas Hobbes, configura-se como uma violação do Pacto Social, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir o bem-estar da população, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é importante apontar a alienação parental como impulsionador da falta de empatia no Brasil. Dessa forma, segundo Durkheim, fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotado de generalidade, coercitividade e exterioridade. Nesse contexto, a falta de empatia por conta da alienação dos pais pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com comportamentos individualistas e discriminatórios, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Desse modo, as tradições familiares, transmitidas de geração a geração, funcionam como forte base para a permanência de preconceitos ainda velados e estruturados na sociedade. Logo é inadmissível que tal cenário continue a pendurar.
Urge, portanto, que a falta de empatia nas relações socias seja combatida no Brasil. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração na lei 9.394, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, criar novas disciplinas curriculares que incentivem e ensinem sobre a empatia, bem como preparem de forma apropriada os estudantes dos cursos de licenciatura, a fim de que, dessa forma, seja possível garantir uma educação que estimule o respeito para com o próximo, o pensamento coletivo, a vivência em sociedade e promova a plena construção do conhecimento. E assim, o direito à igualdade, previsto na Constituição de 1988, poderá ser reverberado com ênfase na prática.