ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 27/04/2021
No livro ´´ Memórias póstumas de Brás Cubas``, de Machado de Assis, o autor defunto dedica sua obra ao primeiro verme que roeu suas frias carnes. Com requinta ironia, o escritor alerta-nos que o ser humano não é merecedor de honrarias. Fora da literatura, a crítica machadiana se faz real, isso devido à falta de empatia na sociedade brasileira. Por isso, é essencial analisar a falha educacional e o retrocesso social como principais problemas desse caótico cenário.
Em princípio, a ausência de uma cultura empática nas escolas é preocupante. Segundo o pensador Immanuel Kant, o homem é resultado de sua educação. Nesse sentido, percebe-se que o incentivo a práticas meramente competitivas no sistema educacional - como por exemplo, a premiação de um seleto grupo de alunos pelo seu rendimento bimestral - pode aguçar comportamentos individualistas que serão refletidos para fora da instituição, fortalecendo, assim, o panorama de antipatia que vive a sociedade. Desse modo, nota-se que as escolas devem instigar uma cultura de alteridade, visto seu impacto na formação cidadã.
Ademais, a falta de empatia é um grande motivador para o atual retrocesso social. A esse respeito, observa-se que a carência de ações que promovam a alteridade (um conceito filosófico que significa ´´ser o outro``, em outras palavras, é se colocar no lugar de outro indivíduo e, através dessa experiência, reconhecer e respeitar as diferenças dele) pode ser negativa para grupos vulneráveis. Isso porque muitos movimentos sociais são taxados - sobretudo pela massa dominante - como vitimistas, com isso vê-se um aumento na violência contra uma parte da população historicamente desfavorecida. Logo, infere-se a relevância da empatia como ferramenta de humanização no país.
Dessa maneira, conclui-se que a realidade vivida no Brasil, de forte antipatia, é um grave problema que precisa ser amenizado. A fim disso, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com o Governo Federal, criem um projeto, chamado ´´Juntos pela humanização``, que atuará em duas frentes. Sob essa ótica, a primeira frente ficará responsável por incentivar a cultura de empatia nas escolas, por meio de palestras e gincanas - ministradas por professores e psicólogos - que salientem a importância de pensar e respeitar as pessoas. Já a segunda linha ampliará o projeto para a comunidade, trabalhando o mesmo tema, mas usando a rede social como aliada para propagar campanhas que normalizem a alteridade entre os cidadãos. Posto isso, será possível tonificar o espirito de coletividade e fazer a sociedade brasileira ser digna de honrarias.