ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 28/04/2021

A música “O beco”, lançada pela banda Paralamas do Sucesso, no final dos anos 80, colocava em debate o fenômeno da incapacidade de se indignar diante da violência: “Nada mais me deixa chocado” - dizia sua letra. De lá para cá, as injustiças, as desigualdades, bem como a indiferença diante delas, têm se ampliado. Porém, tal questão não será compreendida com um essencialismo que insiste em classificar as pessoas em boas ou más. Pelo contrário, deve-se ter em mente que a impossibilidade de se sensibilizar com a dor do outro é antinatural e pode ser desconstruída no âmbito da relação entre escola e comunidade.

Nessa perspectiva, a falta de empatia é antinatural, pois a colaboração é condição evolutiva e de sobrevivência. Essa ideia é corroborada pela descoberta dos “neurônios-espelho”, no campo das neurociências, implicados com a possibilidade de o ser humano se emocionar com as experiências alheias e agir cooperativamente. A isso, some-se a contribuição da Psicologia do Desenvolvimento, com destaque para L. S. Vigotski e H. Wallon, sobre o entrecruzamento dos aspectos biológicos e culturais na gênese dos modos de sentir, pensar e agir, fazendo com que a pessoa forme um sistema com o ambiente em que vive.

Assim, verifica-se que há um contexto de desenvolvimento para as frias relações interpessoais: a sociedade excludente, individualista e consumista, produtora de subjetividades do tipo “salve-se quem puder”. Nela, a escola possui um importante papel de transformação, pois sendo lugar de diálogo e encontro, é também espaço de produção de afetos.

Portanto, cabe-lhe valorizar o componente socioeducacional das aprendizagens, proporcionando vivências em realidades diferentes, com atividades como visita dos estudantes a abrigos de idosos e a crianças hospitalizadas, para que construam desde cedo uma postura solidária diante do sofrimento das pessoas. Até mesmo em um passeio pela feira livre da cidade, as crianças podem se apropriar de muitos conhecimentos sobre a realidade brasileira, tornando-se mais conscientes e mais afetivas.