ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 30/04/2021

Ainda que Revolução Industrial tenha simbolizado a abertura para uma nova perspectiva fundamentada na dinamicidade e na praticidade das questões trabalhistas e do enfrentamento dos problemas socioeconômicos vigentes, ela acarretou um problema ainda mais severo e doentio: a falta de empatia. Isso aconteceu e reverbera no atual contexto brasileiro não só pela noção de competitividade oriunda da grande massa coletiva que estava em busca de ocupações profissionais, mas também pela liquidez das relações sociais. Esse cenário constitui um problema a ser resolvido unicamente pela intervenção estatal.

Primeiramente, urge destacar que a competitividade entre os indivíduos impede a harmonia dentro de um contexto social. Diante de tal afirmativa, o filósofo Thommas Hobbes acrescenta que “o homem é lobo do homem” a fim de demonstrar que eles estão em constante conflito entre si, sendo escravos de suas paixões e eventualmente transgredindo regras e direitos alheios para a obtenção de alguma vantagem pessoal. Isso é comprovado ao analisar os índices de crime contra gênero no Brasil, uma vez que atinge todos os estados e que representa a falta de empatia e a constante luta entre os povos.

Além disso, é indispensável salientar que a fluidez das relações interpessoais promove a indiferença e os conflitos na sociedade. Sob tal ótica, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que a passagem de uma modernidade - socialmente empática e estável - está rapidamente dando espaço à concretização de relações líquidas embasadas nas vantagens próprias, pois o homem deixa de ser tido como “humano” e passa a ser um produto egoísta controlado pelas massas capitalistas. Desse modo, o senso de coletividade dá lugar ao senso de individualidade, fazendo com que um indivíduo não tenha solidariedade com a realidade e com o sofrimento alheio.

Portanto, conclui-se que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil inviabilizam a construção de uma realidade social menos distópica. Dessa forma, para pôr fim a esse impasse. é preciso que o Estado, órgão responsável pela manutenção dos direitos e do bem-estar coletivo, atue na criação de palestras e de políticas públicas, por meio de leis e investimentos, com o intuito de enfatizar a necessidade da cooperação coletiva e, também, de destacar os efeitos benéficos da promoção da empatia: o auxílio ao necessitado, a erradicação de guerras interpessoais e, como consequência, o avanço social. Com isso, será possível construir um corpo social ético, harmonioso e saudável.