ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 03/05/2021

Na obra “Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza- se pela ausência de conflitos de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do individualismo gerado pela concorrência do mercado de trabalho, quanto da falta de discussões, no âmbito escolar, a respeito da tolerância. Diante disso, torna- se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Com a globalização da economia e a consequente ascensão do modelo capitalista, as taxas de desemprego em todo o mundo aumentaram progressivamente, uma vez que, com a Revolução Industrial, a mão de obra humana passou a ser gradativamente substituída por máquinas, fazendo com que as pessoas precisassem se fazer cada vez mais necessárias no mercado de trabalho. Com isso, instaurou- se uma assídua competitividade e, portanto, uma individualidade no meio laboral, já que os indivíduos passaram a enxergar o seu próximo como um concorrente o que, por sua vez, criou uma barreira na capacidade de entender emocionalmente o outro.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de discussões, no âmbito escolar, a respeito da tolerância como impulsionador do problema. A escola é um crucial fator de influência na formação intelectual do indivíduo. Posto isso, a não abordagem a respeito da tolerância, principalmente no que concerne as divergências humanas, no que tange a religião, gênero, raça, orientação sexual, e origem, acaba por culminar na construção de mentalidades preconceituosas, que servem de empecilho à pratica da empatia, uma vez que julgam e desvalorizam a história e a luta do outro.

Dessarte, com o intuito de mitigas a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, urge que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação (responsável pela elaboração da Política Nacional de Educação (PNE), irá financiar workshops e palestras, ministrados por psicólogos e que abordem a importância da empatia e como colocá-la em prática. A ação deverá ocorrer em escolas de todo o Brasil e ser direcionada tanto para a comunidade estudantil, quanto para a sociedade civil em geral, para que assim o maior número possível de pessoas seja alcançado e conscientizado da legitimidade de se colocar no lugar do outro.