ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 11/05/2021
A produção literária “Extraordinário”, de Raquel Jaramillo, narra a história de August Pullman, uma criança que, acometida de uma doença rara, teve que se submeter a diversas cirurgias, causando algumas deformidades físicas e, consequentemente, sofrendo inúmeros ataques e olhares preconceituosos no ambiente escolar e na rua. Analogamente, cenários como o do personagem perpetuam-se cotidianamente, caracterizando um elemento negativo do brasileiro, ou seja, a falta de empatia nas relações sociais. Nesse contexto, fatores, como o individualismo e a pouca discussão, devem ser analisados.
Diante disso, é fulcral pontuar sobre a modernidade líquida, do filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman. Segundo o teórico, os indivíduos do século XXI estão enfaticamente preocupados com os próprios interesses, o que corrobora para a fluidez e a instabilidade das relações. Nessa perspectiva, o individualismo dificulta a construção de uma relação ou olhar empático para a situação do outro. Assim, conclui-se a veracidade da teoria de Bauman quando analisa-se a falta de senso coletivo e empático no panorama pandêmico em 2021, em que parte da população deixa de obedecer medidas protetivas, como máscaras e questões de aglomeração, acabando por auxiliar no óbito de muitos cidadãos. Outrossim, cabe pontuar acerca da falta de diálogo sobre a questão da empatia nas relações. Nesse ínterim, o brasileiro é intensamente bombardeado pela mídia com notícias totalmente não empáticas, como os altos índices de feminicídio, preconceitos contra a diversidade cultural, racismo e dentre muitas outras atitudes depreciativas. Dessa forma, é válido ressaltar que o imperialismo, escravidão e genocídio dos indígenas são os maiores indicativos da carência de empatia da história do Brasil, e ainda assim, colocar-se no lugar do outro é um tema pouco discutido hodiernamente, seja na escola, seja no seio familiar. Por consequência, cria-se uma lacuna comunicativa extensa sobre a dor e sentir do próximo, alimentando julgamentos, desprezo e sofrimento.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar a problemática. Urge que o Ministério da Educação implemente programas educativos que promovam a discussão sobre empatia e relações sociais, por meio de rodas de conversas, “workshops” e dinâmicas em grupos, como um projeto escolar cearense por nome “Geração da Paz”, no qual há uma reunião mensal de alunos no ambiente escolar, envolvendo música, teatro, brincadeiras, tratando de questões relevantes, como violência, tolerância e empatia para com todos. Tal iniciativa teria o fito de promover momentos de reflexão, diálogo e desconstrução de paradigmas sobre a empatia, o altruísmo e o respeito, instigando o raciocínio crítico e a humanidade, que parece fragilizada pelo egocentrismo do século XXI.