ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 10/05/2021
Em um episódio da 15ª temporada de “Grey’s Anatomy”, a personagem Joe Wilson se identifica com uma paciente vítima de estupro e mobiliza o hospital para fazer um corredor de apoio até o centro cirúrgico. Infelizmente, fora da ficção, quando se observa a falta de empatia nas relações sociais, no Brasil, verifica-se que o ideal do filme é constato na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela escassez de mobilização social, seja por falhas no processo de socialização.
Nessa conjuntura, destaca-se a banalização de problemas sociais como impulsionador do problema. No livro “Eichmann em Jerusalém”, Hannah Arendt afirma que o estado de conformidade a atos imorais resulta na banalidade do mal. Ao seguir essa linha de pensamento, evidencia-se que as teias segregacionistas e preconceituosas são somadas à falta de empatia e propulsionam a banalização e a persistência de fatores sociais - como o feminicídio, a homofobia e o racismo - que impedem o amplo desenvolvimento do corpo social. Dessa forma, sem a evolução do pensamento atual, porém retrógrado, a tese da socióloga é amplamente confirmada e o mal é banalizado.
Outrossim, destaca-se a carência de debates nas escolas como impulsionador do problema. Segundo Paulo Freire, instituições de ensino devem ser utilizadas de modo que, por meio da educação, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, afirma-se que é de suma importância o debate, nas escolas, acerca das diversas relações sociais, a fim de romper tabus, já que o processo de educação secundária é o principal período de modelagem e formação do pensamento crítico. Com isso, o uso de palestras, no âmbito escolar, torna-se aliado no aumento de empatia entre os indivíduos e na compressão do problema.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar a mazela social. Paralelamente, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Família, deve propor a criação de palestras “pró-empatia”, por meio de uma carta entregue à Câmara dos Deputados. Tal medida oferecerá debates referentes à necessidade de compreensão das diversas relações sociais e, ademais, terá a participação do corpo docente, discente e responsáveis para que sejam atingidos de forma homogênea. Espera-se, com essa ação, contribuir para uma sociedade menos egoísta e garantir que a ideia apresentada no episódio de “Grey’s Anatomy” seja constatada na prática.