ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 09/05/2021

O escritor Machado de Assis, ao escrever a obra ’’ Memórias Póstumas de Brás Cubas’’, descreveu um autor-defunto, personagem que somente foi capaz de denunciar as patologias sociais depois de morto. Metáforas à parte, é isso o que acontece quando se observa a ausência de empatia nas relações sociais no Brasil. Logo, faz-se urgente analisar a questão histórica e a influência do sitema capitalista para se compreender tal problemática.

Antes de tudo, é válido afirmar que o passado histórico brasileiro corroborou a formação de uma sociedade individualista e preconceituosa. Já dizia o filósofo Confúcio: ’’ Se queres prever o futuro, estude o passado’’. Nesse sentido, a persistência da falta de empatia nas relações contemporâneas é consequência de uma traumática história que país vivenciou ao longo dos séculos, em que mulheres eram vistas somente como domésticas e objetos sexuais, os homens brancos eram figuras que denotavam respeito e superioridade e os negros, a partir de uma visão etnocêntrica dos europeus, eram encarregados do trabalho braçal por serem considerados de espécie inferior. Esse terrível passado, por sua vez, colaborou para a formação de um corpo social marcado pelo machismo e racismo, o que justifica hodiernamente o maior número de negros mortos e o aumento na taxa de feminicídio do país. Dessa forma, uma maior atuação do Poder Público torna-se crucial para minimizar essa mazela social.

Ademais, destaca-se que o sistema capitalista neoliberal também acarretou a formação de uma sociedade em que prevalece o egocentrismo. Segundo o sociólogo alemão Karl Marx, em seu conceito de fetichismo, as pessoas tendem a valorizar demasiadamente os produtos criados pelo sistema e passam a buscá-los, independentemente dos meios utilizados. Nesse viés, o pensamento desse grande sociólogo mostra-se fincado na hodiernidade, uma vez que o sistema capitalista neoliberal, ao dividir a sociedade com base no seu poder de consumo, fragilizou os laços de empatia entre as pessoas, em que agora o ter prevalece sobre o ser. Nesse contexto, também se encaixa o desenvolvimento das redes socias, apesar de encurtar as distâncias entre os indivíduos, reafirma a lógica do capitalismo, construindo uma sociedade marcada pelo consumo e pela superficialidade das relações.

Fica clara, portanto, a necessidade de adoção de medidas para combater esse problema. Cabe ao Estado garantir os direitos estabelecidos pela Constituição Federal, liberdade e igualdade, aos cidadãos por meio de uma rigorosa aplicação das leis com multas e prisões para quem as desrespeitar. Além disso, é necessário que o MEC, em parceira com as escolas, desenvolva, urgentemente, palestras e debates acerca do assunto nas plataformas digitais, por meio de profissionais capacitados, como sociólogos e psicólogos a fim de que a empatia e o respeito virem regras nas relações sociais no Brasil.