ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 24/05/2021
Nas séries em quadrinhos ou filmes de super-heróis sempre há uma dicotomia entre o lado bom e lado mau, respectivamente representados pelo Batman e o Coringa, os personagens mais conhecidos desse universo cinematográfico. Entretanto, essa perspectiva da existência de um vilão é mudada a partir da apresentação da história do Coringa e suas motivações, despertando o sentimento de empatia - colocar-se no lugar do outro - por esse personagem. Nesse contexto, percebe-se a falta de empatia em um mundo fora das câmeras, seja pela perpetuação de mazelas históricas ou no individualismo alicerçado no imediatismo moderno.
Em primeira análise, a falta de empatia nas relações sociais no brasil possui bases históricas, haja vista que a colonização brasileira foi respaldada na invasão de terras indígenas e na exploração de mão de obra escrava. Nesse aspecto, é introduzido o conceito de classes sociais para Platão, ou seja, cada indivíduo tinha um papel a ser cumprido. Tal ideia, divide o tecido social em grupos específicos, como grupo de quem explora e o grupo de quem é explorado, normalizando, assim, injustiças sociais como a escravidão. Logo, uma segregação social, alimentada desde dos tempos da colonização, contribui para a falta de empatia, visto que neutraliza a capacidade de um indivíduo, que está alienado em seu grupo, se colocar no lugar de uma pessoa que pertence a outro grupo.
Além disso, a dinamicidade do mundo moderno introduz uma preocupação mais individualizada de bem-estar ou desejo a uma qualidade de vida, à medida que trabalho, família e mazelas do meio urbano silenciam o exercício da empatia. Em destaque ao pensamento de Bauman, a sociedade líquida é aquela que não possui relações duradouras. Nesse sentido, a falta de uma conectividade com o próximo é explicada a partir da construção do mundo capitalista, de aspectos consumistas e imediatistas. Desse modo, o caminho para alcançar a realização pessoal na sociedade líquida de Bauman é se ater em uma evolução pessoal, sem a pretensão de construir relações interpessoais sólidas.
Torna-se claro, portanto, medidas relevantes para a resolução do impasse em análise. Para que isso ocorra, cabe ao Estado elaborar programas que reduzem a separação entre grupos sociais, bem como eventos públicos que integrem diferentes realidades sociais. Isso pode ser feito a partir das políticas de cotas, que permite a integração de indivíduos que não possuem a mesma realidade aquisitiva, por exemplo. A consequência dessas ações contribuiria para a construção de uma sociedade mais empática, visto que uma inclusão social permite um maior diálogo entre a comunidade.