ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 19/05/2021

De acordo com São Tomás de Aquino, principal filósofo da Patrística, todas as pessoas devem ser tratadas com a mesma benevolência, excluindo assim das relações sociais o egoísmo, a insensibilidade e o ódio, como um todo. Infelizmente, a atual conjuntura do país contraria os dizeres do pensador ao analisar-se a falta de empatia nas relações sociais no cotidiano da população. Dito isso, pode-se inferir como fatores desfavoráveis ao cenário supramencionado uma falsa noção de superioridade intelectual e cultural, cultivada por diversas pessoas no meio social, além da geração de uma bolha de discurso de ódio e superficialidade, incentivada a se manter presente no ambiente das redes sociais. Sendo assim, conclui-se que essa realidade é certamente desagregadora e não pode ser negligenciada.

Antes de tudo, é oportuno analisar o postulado feito pelo filósofo alemão Nietszche e encarado como um “supremo desafio ético”, que consiste em propor uma reavaliação radical dos valores morais da humanidade. Então, pode-se concluir que esse desafio deve ser posto em prática, uma vez que a propagação dessa ideia de superioridade já aconteceu na história mundial (na ditadura nazista de Adolf Hitler) com a Teoria da Eugenia, que, cunhada no século XIX, perpetuava o controle social por meio da apuração de aspectos considerados superiores. Em suma, percebe-se que urge uma resolução desse comportamento supremacista, pois ele desrespeita os direitos fundamentais à igualdade e à dignidade previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Outrossim, é válido analisar também como a intolerância e a superficialidade são hegemônicas no meio virtual, principalmente nas redes sociais. Para confirmar a existência dessa problemática, pode-se citar o episódio “Odiados pela Nação” da série Black Mirror, que busca refletir sobre a força que os mídias digitais têm ganhado no cotidiano do corpo social, além do colossal individualismo predominante nas redes, que acaba servindo apenas para manter o status quo -a padronização- dentro da bolha social etnocentrista e preconceituosa na qual a população brasileira está inserida.

Portanto, urgem medidas operantes para que haja a mitigação da falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Para isso, compete às principais potências televisivas do país, como a Rede Globo, SBT e Band a criação de propagandas que visem levar a população a refletir sobre atitudes intolerantes preconceituosas, de forma dinamizada e educativa, a fim de que se possa atenuar o caráter supremacista da sociedade brasileira, como um todo. Ademais, faz-se necessária uma ação do Poder Legislativo, de forma concomitante à quaisquer parlamentares, que consista na austerização das punições para criminosos virtuais, por meio de um projeto de lei apresentado à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Assim, a sociedade se aproximará do pressuposto igualitário de São Tomás.