ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 20/05/2021
“Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”. A frase de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, reflete acerca da instabilidade das relações pós-modernas, estas que carecem de virtudes antigamente abundantes no psicológico humano. Ao listarmos em tópicos a quais qualidades o autor se refere, é possível notar que uma delas é a empatia. Essa palavra nomeia a capacidade de se colocar no lugar do outro, de tentar imitar ou ao menos perceber como outra pessoa se sente. Observando a sociedade brasileira contemporânea, enxerga-se pessoas que não buscam exercitar a empatia ou mesmo a repudiam, o que ocorre, dentre alguns fatores, pelo baixo valor que a inteligência emocional possui aos olhos da sociedade moderna.
É comum se perguntar o que levaria alguém a perceber um sentimento tão nobre em teoria, como algo desnecessário e repulsivo. Normalmente a resposta está na irresponsabilidade, no fato de que, para entender a dor de uma pessoa, muitas vezes é preciso reconhecer que tivemos parte da responsabilidade sobre a ferida emocional sofrida, mesmo em situações simples, como quando magoamos alguém por não ter prestado atenção no que ela falava e precisamos lidar com a culpa posteriormente.
Outro fator que origina a falta de empatia no Brasil é a discriminação. A dificuldade em respeitar as diferenças no país é um grave problema, uma vez que boa parte da população compactua com discursos de ódio como a homofobia, o racismo e a misoginia, ainda que de forma indireta ou por causa de ignorância e não da maldade. Basta observar a quantidade alarmante de notícias sobre feminicídio ou assassinato de pessoas da comunidade LGBT, muitas vezes pelas mãos da própria família. Parte do senso comum brasileiro deixa implícito que certas minorias não merecem respeito, e disso surgem tantas estatísticas de mortes por todo o país, sendo possível observar pessoas defendendo os agressores.
Sendo assim, faz-se necessária a atuação do Ministério da Educação (MEC), por meio de palestras acessíveis e propagandas em televisão aberta, como forma de conscientizar e debater com a população sobre os mais diversos tabus que perduram até os dias atuais, bem como mostrar que existem outras ideologias além da que é pregada pelo senso comum, incentivando aos poucos o respeito e a tolerância com as diferenças, a fim de auxiliar no desenvolvimento da empatia dentro da sociedade brasileira.