ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 24/05/2021

É indubitável que a globalização foi de grande importância para o encurtamento de distâncias no século XXI. Esse cenário possibilitou o advento da “Aldeia Global”, que consiste em uma rede virtual de pessoas conectadas ao redor do mundo. No entanto, tal agrupamento não se tornou sinônimo de maior empatia nas relações sociais, visto que a sociedade está se tornando cada vez mais individualista. Isso acontece, principalmente, pela pouca discussão sobre o assunto - empatia nas relações sociais - no Brasil, e tem como exemplo a desigualdade social existente no país.

Primeiramente, é importante ressaltar que a pouca discussão sobre a empatia faz com que os cidadãos se tornem cada vez mais individualistas. Segundo a obra “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman, vivemos em tempos líquidos onde nada é feito para durar, nem mesmo as relações sociais. Dessa forma, sem discussões amplas e acessíveis à população sobre esse assunto, as interações pessoais se transformam em fluídas e superficiais, o que, por sua vez, aumenta o sentimento egocêntrico da população.

Ademais, salienta-se que a enorme desigualdade social no país é um exemplo da falta de empatia entre os indivíduos. De acordo com a PNUD, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Isso, porque o desejo de deter todos os recursos financeiros para si, sem se preocupar com os outros, agrava a situação de desproporção econômica. Sendo assim, o combate à desigualdade depende do fortalecimento da empatia entre os seres humanos.

Portanto, medidas tornam-se necessárias à solução das problemáticas apresentadas. Em primeiro lugar, o Ministério da Cidadania deve promover a discussão sobre a empatia nos meios de comunicação, por meio de parcerias com empresas responsáveis pelas mídias sociais e canais televisivos, com o fito de tornar o assunto acessível à população e, consequentemente, aumentar o sentimento empático entre os cidadãos. Em segundo lugar, é dever do governo fortalecer a empatia entre os seres humanos, mediante criação de mais programas de voluntáriado e a ampla disseminação, em veículos de comunicação, da importância das pessoas ajudarem em projetos sociais, tendo como objetivo, mesmo que indireto, dar o primeiro passo à redução da desigualdade. Quiçá, dessa maneira, a falta de empatia na relações sociais não seja mais um problema.