ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 31/05/2021
No filme “Django Livre”, o jovem negro Django é aprisionado, humilhado e açoitado por pessoas que consideram sua raça inferior em um contexto racista e escravocrata. Nesse fio, um dentista chamado Dr. Schutz o salva da escravidão, ensinando-o um oficio novo para seguir sua vida. Não obstante, fora da ficção, é visível que há falta de empatia nas relações sociais no Brasil, não na mesma proporção do filme supracitado, mas com o mesmo princípio de exclusão de emoções pelo próximo. À vista disso, deve-se elencar duas causas para análise da situação: o crescente preconceito com as diferentes escolhas e visões de mundo e o cada vez maior individualismo do ser humano contemporâneo.
Antes de tudo, deve-se ressaltar que qualquer tipo de discriminação é inaceitável em qualquer sociedade moderna. Nesse sentido, é evidente que critérios como gênero, raça, religião e origem são os principais enfoques das pessoas que adotam essas atitudes - dado a pesquisa do Instituto DataFolha que contabiliza que cerca de 22% das pessoas entrevistadas dizem que já que sofreram algum tipo de discriminação no país. Nesse contexto, é notório que tais ações são reflexos de uma sociedade sem respeito por seus semelhantes, que destroem e silenciam aqueles escolhem e pensam diferente dos seus algozes - haja vista o caso que aconteceu em São Paulo, em que um travesti levou socos e pontapés uma pessoa simplesmente por ter outra escolha sexual.
Ademais, é fundamental apontar o individualismo do ser humano contemporâneo como impulsionador do problema. De acordo com o dramaturgo Ariano Suassuna, o homem tem sua natureza na solidão e, por causa disso, suas vontades são satisfeitas independentemente do resultado colateral disso. Paralelamente, nos dias atuais, é possível enxergar a sociedade mais egoísta, atendendo exclusivamente o seu bem-estar em detrimento do próximo - basta ver as crescentes denúncias de pessoas que furam filas de vacinações para ter sua imunização anterior a idosos e pessoas com comorbidades. Assim sendo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
É claro, portanto, que essa conjuntura precisa ser mudada. Para tal, é imprescindível que o Governo Federal, por meio do Ministério de Direitos Humanos e Família e do Ministério da Cidadania, realize, com o auxílio de educadores e psicólogos, palestras em escolas, com a finalidade de esclarecer aos alunos, que cada ser humano tem sua singularidade, e que essa particularidade devem ser respeitada - vide a campanha de conscientização “Eu Respeito”, da Universidade Federal do Amazonas, que, com a ajuda de profissionais, levam às ruas e escolas conceitos que tornam a convivência social harmônica e respeitosa. Dessa forma, a sociedade irá mudar aos poucos e se tornar mais empática, com a mesma visão de igualdade pelo próximo que o Dr. Schutz.