ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 01/06/2021
Na Grécia Antiga, era comum dentre os habitantes da cidade-estado de Esparta o hábito de falar somente o necessário. Tal prática denominada laconismo era realizada, pois segundo eles, a concisão em suas palavras seria primordial para o sucesso do processo de militarização de seu povo, voltando-se somente à luta. Entretanto, pode-se dizer que essa prática difusa na Antiguidade, possuiu reflexos no convívio social dos cidadãos, que exiguiu, em parte, os laços empáticos. Consoante, assemelha-se tal cenário à situação vivida na atualidade, que causada pela mecanização do trabalho e avanço das tecnologias - resultados do capitalismo moderno - corrobora para a ausência de afeto no cuidado ao próximo.
Em primeira instância, tem-se a análise do conceito sociológico de “Solidariedade Mecânica” como pertinente à discussão. Segundo tal definição, as organizações sociais eram articuladas como “uma grande máquina”, na qual os indivíduos possuíam interdependência entre si, necessária para a sua vivência. Dessa forma, havia solidez nos vínculos empáticos.Em contraponto, vigora-se a “Solidariedade Orgânica”, definida pela fluidez e descartabilidade das relações interpessoais, uma vez que há a difusão de pensamentos individualistas, fruto do processo de capitalização e modernização hodierno.
Como consequência da ausência de empatia ao próximo, há a tendência de um aumento deplorável nos casos de crimes de ódio contra a vida, principalmente contra minorias menos abastadas, exibindo-se assim, um preconceito estrutural no Brasil. Esse por cor, por causas étnico-religiosas ou até mesmo financeiras, evidenciando o “esfriamento” da sociedade como propulsora da exclusão. Exemplo disso, é o caso ocorrido no supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre, em que um homem negro é espancado até a morte pelos seguranças do local. Logo, é claro observar que essa irrelevância da cordialidade humana - assim propagada - se mostra presente na discriminação da diversidade, que tenta reforçar a concepção de insignificância do invíduo.
Portanto, diante o que foi analisado, faz-se mister a disposição de soluções para a erradicação da problemática. É de suma importância a ação do Ministério da Educação na reformulação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), documento que direciona a responsabilidade educacional nas unidades básicas de ensino. Tem por meta, a inclusão de matérias específicas voltadas à cidadania, que tenham por fito o reforço pelo indivíduo, não somente dando conhecimento dos direitos e deveres mas também, dos laços afetivos dentre o ambiente discente. Pois de acordo com Nelson Mandela, revolucionário africano, " A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo". Logo, é necessário que se mostre o caminho desde cedo.