ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Destaca-se o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro perante a problemática do racismo, afirmando sobre a inexistência desse no país, demonstra a falta de empatia – compreensão a cerca das mazelas alheias – nas relações sociais no Brasil. Nesse sentido, evidencia-se o cenário apresentado como prejudicial à estrutura social, pois favorece a perpetuação de preconceitos e dificulta a implantação de políticas afirmativas, que visem à redução das desigualdades inerentes à sociedade brasileira.
À luz dessa perspectiva, denota-se o comportamento indiferente dos cidadãos como benéfico à manutenção de sistemas opressivos no corpo social brasileiro. Isso porque, de acordo com o filósofo francês Pierre Bourdieu, a dinâmica da sociedade é caracterizada pela internalização e reprodução dos hábitos culturais. Dentro desse prisma, a disseminação de afirmativas menosprezadoras dos problemas intrínsecos à sociedade brasileira, como a do presidente da República, dificulta a superação desses, tendo em vista o ilusório cenário que creem existir, no qual há a ausência de adversidades. Desse modo, a carência de empatia nas interações entre os indivíduos é nociva ao ordenamento da sociedade brasileira.
Outrossim, o contexto mencionado atua como empecilho ao estabelecimento de políticas afirmativas – medidas governamentais que objetivam a mitigação das disparidades sociais. Sob tal óptica, ainda consoante o pensador francês, o processo de internalizar e reproduzir os costumes, característico das relações sociais, também atinge a esfera política. Nessa linha de pensamento, a carência de empatia no âmbito político, impede o debate de ações estatais que visem à redução das problemáticas sociais brasileiras, visto que o panorama denotado direciona os indivíduos a dissimulada crença de privação dos contrastes sociais no Brasil. Dessa maneira, ressalta-se a urgência por atitudes do Estado brasileiro com o intuito de combate a falta de empatia nas relações sociais.
Em vista do exposto, salienta-se a nocividade do comportamento não empático a conjuntura social do país. Portanto, cabe ao Ministério da Educação criar o programa “Entendo quem é o outro”, por meio da inserção à Base Nacional Comum Curricular, com o fito de ensinar aos discentes a importância de se compreender as dores dos demais cidadãos, por meio do procedimento aludido por Pierre Bourdieu, e, assim, potencializar a empatia nas relações sociais no Brasil. Sendo assim, afirmações como a de Jair Bolsonaro será menos recorrentes no território nacional.