ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 17/06/2021

“Ninguém nasce odiando a outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”. Essa frase do ativista político Nelson Mandela representa bem a importância da educação para a formação do caráter humano. Entretanto, no Brasil, percebe-se que essa tese não tem sido efetivada, uma vez que a falta de empatia nas relações sociais persiste.  Isso acontece devido não só à negligência do Estado, mas também a ineficiente atuação das escolas e das famílias.

Inicialmente, ressalta-se que a negligência estatal contribui para o aumento da falta de empatia na sociedade. Essa realidade é constatada seja pela pouca interferência nas empresas que pregam o individualismo, seja pela baixa campanha de conscientização dos indivíduos. Contudo, isso não é fácil de ser resolvido, haja vista que o sistema capitalista vigente no mundo prega o egoísmo, a ganância e a competição. Além disso, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade pós-moderna é definida pelas “relações líquidas”, caracterizada pelo individualismo e pela superficialidade das interações sociais. Dessa forma, a empatia, capacidade da pessoa se colocar no lugar da outra, está sendo reduzida.

Outro fator importante a ser frisado é a ineficiente atuação das famílias e das escolas no sentido de educar os indivíduos a ser solidários. Nessa perspectiva, conforme o filósofo inglês John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio das experiências.  Desse modo, se no âmbito escolar e no familiar os cidadãos fossem ensinados a praticar atos altruístas, solidários e de ajudar os outros, eles tenderiam a praticar a coletividade e  a potencializar a empatia , o que seria fundamental para a socialização.

Evidencia-se, portanto, que a falta de empatia nas relações sociais precisa ser combatida. Nesse viés, cabe ao Estado, por intermédio de campanhas nas redes televisivas e sociais, conscientizar a população sobre a importância da empatia para o indivíduo viver em uma sociedade melhor, além de não autorizar que as empresas propaguem a individualidade, o egoísmo ou a ganância nesses meios de divulgações, com o intuito de favorecer a solidariedade e a busca pela a harmonia social. Por fim, é indispensável que as famílias, juntamente com as escolas, mediante o diálogo, aulas e palestras,  sensibilize desde cedo os cidadãos a serem pessoas boas, com a finalidade de todos sejam beneficiados.