ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 09/06/2021

No filme “Extraordinário”, é narrado a história de vida de uma criança, Auggie, que nasceu com uma deformidade facial, a obra cinematográfica enfatiza como a anomalia do personagem afeta seu relacionamento interpessoal. No contexto da longa-metragem, Auggie é vítima de bullying e preconceito por parte de adultos e colegas de classe, o que por consequência, compromete sua saúde psíquica. Fora da ficção, é perceptível na contemporaneidade a ausência de empatia no que concerne as interações sociais, principalmente, em compreender algo oposto a determinado padrão. Em síntese, tal imbróglio ocorre seja pelo fator histórico discriminatório, seja pela cultura do ódio propagada nas redes sociais.

Em primeira análise, é cabível pontuar que, a falta de empatia ocorre, infelizmente, pelas origens segregacionistas do país. Visto que, durante o Brasil colônia os portugueses inferiorizaram os povos nativos que existiam nas terras tupiniquins, criou-se uma intolerância a respeito dos índios, caracterizando-os como indivíduos preguiçosos e imorais, conceitos que proporcionou um estigma na etnia indígena. Além disso, a nação verde e amarela foi o último país das Américas a abolir a escravidão, posto isso os negros ficaram marginalizados na sociedade tidos como pessoas inferiores, apenas objetos de trabalho. Em adição, na música “ O tempo não para” do compositor brasileiro Cazuza, em um trecho da canção ele cita “ Eu vejo o futuro repetir o passado”, dessa maneira, por analogia, é visível que os comportamentos agressivos da nova geração tem como base o pretérito.

Outrossim, é relevante reconhecer que o avanço das tecnologias permitiu maior conexão entre os indivíduos, um exemplo disso são as redes sociais que é, também um grande agente influenciador, no entanto, é notório um crescimento expressivo da cultura do ódio que é disseminado nas plataformas digitais. As redes sociais disponibilizam a oportunidade dos usuários se expressarem, e isso é comumente usado como maneira para ameaçar ou ridicularizar outras pessoas e sair impune de tais situações. Apesar de que, os discursos ofensivos agem contrariamente à Declaração dos Direitos Humanos que definem os seres humanos iguais em dignidade e direitos. Sendo assim, é relevante a criação de medidas que busquem o fomento de maior empatia nas relações humanas.

Logo, faz-se necessárias mudanças. É perceptível que não é possível alterar o passado, mas é tangível a realização de medidas para corrigi-lo. Em primeira análise, é mister que o Governo Federal por uso das redes sociais compartilhe que a ferramenta da internet deve ser utilizada como modo a auxliar nas necessidades individuais e reforçar que injúrias e discriminações, mesmo digitalmente, é crime. Buscando assim, maior aproximação da empatia nos relacionamento interpessoais na sociedade.