ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 09/06/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observa a grande falta de empatia existente no Brasil atualmente, percebe-se que esse ideal não é uma realidade. Esse quadro degradante é fruto tanto da omissão estatal quanto da falta de ética de parte da população. Logo, é preciso aprofundar a análise desse problema no país.

Inicialmente, deve-se ressaltar a ausência de políticas públicas para melhorar a empatia da sociedade brasileira. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é o responsável pelo bem-estar social, mas isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, devido à falta de campanhas informativas que mostrem a importância da gentileza e de se colocar no lugar do outro, infelizmente o ódio só aumenta, o que gera desarmonia e violência entre as pessoas.  De acordo com “The Intercept Brasil”, os crimes de ódio aumentaram 5000% durante os últimos anos no país. Assim, não é aceitável que o Brasil, embora queira se tornar um país desenvolvido, negligencie fatores humanos tão importantes dessa forma.

Adicionalmente, cabe citar que atitudes antiéticas cooperam para o agravamento desse distúrbio. Conforme o filósofo Kant, deve-se agir de modo que sua ação possa se tornar uma prática universal. Nesse contexto, pode-se afirmar que atitudes individualistas vão de encontro à ética kantiana, visto que se todos fossem egoístas a sociedade se tornaria ainda mais intolerante e desequiibrada, o que agravaria a competitividade e a falta de empatia generalizada da nação. Dessa maneira, enquanto o egoísmo for uma regra, a empatia e a  dignidade humana serão uma exceção.

Portanto, ações precisam ser tomadas para resolver esse impasse. Dessarte, a fim de melhorar a empatia entre os indivíduos  da sociedade brasileira, o Ministério da Cidadania deve, por meio de propagandas de rádio e TV, promover campanhas informativas que esclareçam à população a importância de se colocar no lugar do outro, especialmente em locais onde haja grande incidência de crimes de ódio. Ademais, as escolas do ensino fundamental devem realizar palestras com psicólogos especializados para que as crianças aprendam quanto antes a importância de sentir a dor do próximo. Somente assim, o ideal iluminista se tornará uma realidade em nosso país.