ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 17/06/2021
Machado de Assis, em sua fase realista, desnudou a sociedade brasileira e teceu críticas aos padrões superficiais e egoístas que caracterizam essa nação. Não distante da realidade, notam-se aspectos semelhantes no que tange à falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Nessa ótica, o uso excessivo das redes sociais e a formação familiar deficiente podem ser apontadas como causas para a permanência do problema.
Convém ressaltar, a princípio, que o uso excessivo das redes sociais corrobora para a persistência da problemática. Conforme o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as redes sociais tornam tudo aparentemente mais fácil, contudo, perdem-se as relações sociais verdadeiras. Nesse sentido, as mídias corroboram para a falta de empatia das relações sociais, uma vez que a ausência de contato humano físico gera uma desumanização do próximo provocando, assim, o sentimento de solidão e tristeza derivados da ausência de relações humanas verdadeiras. Dessa forma, doenças como depressão e ansiedade, tornam-se cada vez mais comuns na sociedade hodierna.
Outro ponto relevante nessa temática é a formação familiar deficiente. Segundo o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Nesse contexto, a falta de empatia nas relações sociais apresenta-se como um pensamento passado de geração a geração, transformando-se, assim, em uma ideia intrínseca do indivíduo, que agirá nos seus relacionamentos da maneira que foi criado. Dessa maneira, perpetuam-se os problemas provocados pela ausência da capacidade de se colocar no lugar do outro, como crimes de ódio, por exemplo.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção pontual no problema. Assim, especialistas em redes sociais, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam o uso excessivo de redes sociais. Tais ações devem ocorrer nas mídias, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as condições reais da questão, comparando o tratamento que as redes sociais dão ao assunto com as pessoas que de fato vivenciaram o problema. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para identificar e dar visibilidade a ação a fim de conscientizar a população sobre as consequências do uso excessivo de redes sociais para os relacionamentos humanos. Além disso, o governo federal, como órgão máximo responsável, deve promover campanhas educativas sobre a necessidade de empatia nas relações sociais a fim de desenvolver uma sociedade mais empática com o próximo. Talvez assim, seja possível construir um país de que Machado de Assis pudesse se orgulhar.