ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 24/06/2021

O filme “O milagre na cela 7”, do diretor Mehmet Ada Oztekin, retrata a história de Memo, um deficiente mental, que, ao ser preso injustamente, é ajudado pelos colegas na cadeia, os quais, ao conhecê-lo, se tornaram extremamente empáticos com ele, a ponto de arriscarem suas próprias vidas para salva-lo. Fora da ficção, a realidade se mostra bem diferente, visto que é cada vez mais notória a falta de empatia nas relações no Brasil. Para que haja mudanças, nesse atual cenário, faz-se necessário o enfrentamento de várias questões, como o egoísmo dos cidadãos e a indiferença do Estado.

Em primeira análise, é possível destacar o individualismo das pessoas como fator contribuinte para a falta cuidado com o outro no país. Nesse contexto, segundo o filósofo polonês, Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade líquida”, a sociedade está cada vez mais fluida e menos estável em suas relações, o que faz com que os indivíduos se distanciem uns dos outros, interessando-se, apenas, pelos seus próprios problemas. Posto isso, é possível afirmar que as palavras do pensador se encaixam, perfeitamente, na sociedade atual, exemplo disso foi o que aconteceu no início da pandemia da Covid-19, período em que várias pessoas estocaram máscaras e álcool, sem se importarem com a falta que causaria para os outros indivíduos. Desse modo, incentivar as pessoas a pensarem nas necessidades alheias é fundamental para se corrigir esse mal.

Em segunda análise, a negligência estatal é outro fator que corrobora para o agravamento dessa problemática. Nessa perspectiva, consoante Rousseau, em sua obra “O contrato social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar coletivo. No entanto, a afirmativa do filósofo contraria a realidade brasileira, dado o pouco estímulo do governo em, por exemplo, motivar as empresas a distribuírem cestas básicas como forma de conseguirem redução de impostos, como também a profissionalização de jovens carentes para o mercado de trabalho. Dessa forma, as ineficientes ações dos governantes em promoverem a empatia tem estimulado o descaso dos cidadãos nessa prática.

Portanto, uma ação mais efetiva do Estado e um comprometimento fraternal das pessoas com o outro são imperiosos para que se resolva tal questão. Logo, urge que Ministério da Educação, órgão responsável pela formação educacional das pessoas, promova, por meio de campanhas educativas, discussões e projetos com o intuito de incentivar os alunos a terem empatia e criar neles uma consciência de que é preciso se interessar pelos problemas alheios. Ademais, o Poder Legislativo deve criar novas leis de incentivo para as empresas que promoverem ações beneficentes, a fim de estimular a preocupação com o próximo. Assim, ações empáticas, como as vivenciadas no filme “O milagre na cela 7” pelos companheiros de Memo na prisão, serão mais evidentes na sociedade brasileira.