ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 13/06/2021

O indivíduo do século XXI substituiu o transporte público pelo carro, a biblioteca pelos próprios livros e o trabalho em um escritório pelo trabalho em casa, ou seja, o “nós” transformou-se em “eu”. É possível perceber, portanto, que a sociedade moderna, pós Revolução Digital, está mais individualista, livre da noção de soliedaridade, e, consequentemente, mais egocêntrica e menos empática, o que gera violência. Nesse contexto, é necessário discorrer a respeito da falta de empatia nas relações sociais no Brasil.

Primeiramente, é preciso reconhecer que, segundo o filósofo Contratualista Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, isto é, o ser humano é naturalmente mau com o outro, logo, é imprescindível um “contrato social”, no qual o Estado é responsável por controlar seus impulsos cruéis. Contudo, mesmo após anos de contrato social, o homem ainda expõe sua maldade intrínseca, a qual é intensificada pelo individualismo, ao, por exemplo, cometer crimes de ódio ou difamar alguém, o que é motivado, principalmente, pela falta de empatia. Partindo desse princípio, ter empatia significa abandonar preconceitos ou expectativas para compreender o outro, e é extremamente importante em qualquer relação social. A empatia pode ser exercitada pelo indivíduo, com o objetivo de se tornar uma boa pessoa, desprendida de intolerância ou prejulgamentos.

No entanto, apesar de ser uma característica fundamental para convivência humana, pode-se perceber a falta de empatia no Brasil ao analisar os índices de violência. De acordo com o Mapa do Ódio de 2018, todos os Estados brasileiros registraram algum tipo de crime de ódio, motivados por preconceito de gênero, raça, orientação sexual, religião ou origem. Nesse sentido, uma sociedade individualista, que não preza pela compaixão, reforça preconceitos e padrões sociais que devem ser seguidos pelo outro. Devido a dificuldade de praticar a empatia e aceitar as diferenças, o Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo, conforme dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil. A falta de empatia causa preconceitos e a violência contra minorias, por isso, é essencial estimular a aceitação na sociedade brasileira.

Dessa maneira, devido aos fatos supracitados, medidas são necessárias para reduzir o impasse. Para isso, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve iniciar um programa educacional que será entregue à Câmara dos Deputados, no qual educadores devem ajudar as crianças com atividades periódicas que estimulem a soliedariedade e a compaixão, como doação de roupas e brinquedos, a fim de formar uma sociedade menos individualista. Assim, espera-se que os brasileiros desenvolvam mais empatia nas relações sociais, reduzindo a inerente maudade do homem e os índices de violência.