ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 14/06/2021

De acordo com o filósofo espanhol Josemaría Escrivá, a caridade, mais do que em “dar”, está em “compreender”, ou seja, ser empático, colocar-se na situação do outro. Conquanto, esse ideal não ocorre no Brasil, onde há uma falta de empatia nas relações sociais. Isso ocorre tanto pelo aumento das relações digitais, quanto pela má formação do imaginário das pessoas, que está repleto de preconceitos.

A priori, cabe destacar o aumento das relações através de meios digitais como fator agravante do problema. Nota-se, com o advento da Terceira Revolução Industrial, que as comunicações por esses meios cresceram, fazendo com que as pessoas diminuíssem o contato humano. Prova disso, é a pesquisa no questionário Phone Life Balance, realizada globalmente pela Motorola em 2018, onde mostrou-se que 60% dos jovens entre 10 e 19 anos ficam 12 horas com o celular à mão. Conquanto, por causa de nossa condição social, necessitamos olhar pessoalmente para compreender o outro, porque, sem isso, não enxergamos sua humanidade, sua alma e tampouco suas condições. Dessa forma, criar empatia é quase impossível.

Ademais, destaca-se a má formação do imaginário brasileiro que, estando cheio de pré-julgamentos, não consegue se relacionar de forma empática. Vê-se que esse problema é consequência da pouca leitura, pois, segundo o crítico literário Northrop Frye, a literatura é essencial na formação da imaginação humana. E, de acordo com a pesquisa realizada pelo instituto pró-livro, o brasileiro lê, em média, 5 livros por ano.  Dessa forma, a experiência literária, que é fulcral para compreender a vivência social humana a partir dos olhos do outro, não ocorre, dificultando a resolução da problemática.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Dessarte, faz-se necessário que o Ministério da Educação e da Cultura (MEC), por meio de verbas governamentais, invista na formação do imaginário das pessoas, criando palestras acessíveis sobre o tema e com professores capacitados, a fim de diminuir a falta de empatia presente na população brasileira. Pois só assim poderá ser alcançado o ideal de Josemaría Escrivá sobre a caridade, tornando as relações sociais mais empáticas.