ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 16/06/2021
O filme “Extraordinário”, retrata um menino que nasceu com problemas na aparência física, consequentemente possuía retração social, sendo que as pessoas o tratavam de forma diferente, até que ele encontrar amigos empáticos. Fora da ficção, a realidade é a mesma, e os indivíduos têm se importado cada vez menos com os problemas do outro. Sob essa ótica, o individualismo se torna mais evidente, bem como doenças relacionadas à ansiedade, depressão e distúrbios emocionais, fatores esses que são preponderantes para o desequilíbrio social.
É importante ressaltar, a princípio, que após as Revoluções Industriais do século XIX, o ser humano se tornou mais egoísta, competitivo e individualista. Nesse aspecto, segundo Eli Pariser, as pessoas do mundo contemporâneo tendem a viver em suas bolhas. Percebe-se, nesse viés, que a dor do outro não incomoda mais, pois a concorrência, a vida corrida, não oferece oportunidade de parar e olhar para as pessoas ao redor que estão precisando de ajuda. Por conseguinte, as relações passam a ser sem afeto e proximidade, dando espaço para a superficialidade e volatilidade, e as atitudes passam a se tornar egocêntricas, como exemplo, caluniar alguém para tomar sua vaga de emprego, ferir ou até mesmo matar com objetivo de ser beneficiado.
Ademais, convém relacionar que a falta de alteridade e empatia cria uma sociedade doente emocionalmente. Posto isso, de acordo com a obra “Retrato”, de Cecília Meireles, a autora se enxerga sozinha, com traços da sua velhice e ninguém por perto, isso lhe deixava doente. Torna-se evidente que o ser humano necessita de outras pessoas, pois é um ser social, como dizia Aristóteles. Tendo em vista que se encontrar só, causa diversos problemas, como ansiedade e depressão, pelo fato de não ter alguém para compartilhar as suas dores, alegrias, angústias e felicidades. Essa insegurança cresce na era digital, na qual há uma multidão de pessoas conectadas, porém todas distantes e com relações superficiais e sem vínculo.
Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver o individualismo e a falta de empatia no tecido social. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, como instância máxima da esfera educacional, inserir disciplinas curriculares que tratem de princípios básicos na convivência, o respeito às diferenças, a empatia e solidariedade, a fim de os discentes aprenderem desde cedo a serem humanizados, por meio de palestras, debates com ideias divergentes, trabalhos em equipe e conversas periódicas nas salas de aula, em que os alunos compartilhem seus necessidades com o objetivo de receber ajuda voluntária daqueles que puderem.